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Convite de reunião para mudança na bula da Cloroquina foi feita pela Casa Civil

A alteração na bula da cloroquina tinha objetivo de incluí-la no tratamento contra a covid-19

Por Geovanna Bispo 11/05/2021 3h28

Antônio Barra Torres, diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que o convite para reunião no Palácio do Planalto para troca de bula da Hidroxicloroquina veio da Casa Civil. A alteração na bula tinha objetivo de incluí-la no tratamento contra a covid-19.

Barra Torres ainda informou que quem liderou a reunião foi o ministro da Casa Civil, Braga Netto. “Na época, ele era coordenador do grupo.”

Anteriormente, o presidente confessou que chegou a se exaltar com a imunologista Nise Yamaguchi, que foi quem sugeriu a mudança. “Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provocou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. A minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser porque só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas desde que seja solicitado pelo detentor do registro.”

Segundo Barra Torres, também participaram da reunião, ocorrida no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde da época, Luiz Henrique Mandetta, o da Casa Civil, Braga Netto, e a médica Nise Yamaguchi.

“Quando houve uma proposta de uma pessoa física de fazer isso [alterar a bula de um medicamento], me causou uma reação um pouco mais brusca. Eu disse: ‘olha, não tem cabimento, isso não pode’. E a reunião, inclusive, nem durou muito mais depois disso”, completou o presidente.

Vacinas

Barra Torres ainda afirmou que faltam documentos para que a vacina Butanvac, do Instituto Butantan, tenha autorização para realizar estudos clínicos. “Faltam documentos e existem discrepâncias que foram apontadas, e que faltam ser respondidas”, informou o presidente.

A expectativa, segundo o próprio Instituto, é que, com a liberação, até 15 de junho, tenha-se 18 milhões de doses prontas para distribuição. Enquanto a autorização da Agência não sai, as 1 milhão de doses, que já estão sendo fabricadas, serão armazenadas.

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Além da Butanvac, o imunizante russo Sputnik V, produzido pelo Gamaleya, também aguarda liberação da Anvisa para que seja distribuída. Segundo o presidente, a autorização de uso emergencial dela está em análise, mas que o processo está parado, já que também faltam documentos. “Tão logo eles apresentem, a análise será feita dentro do prazo legal, e o nosso posicionamento será firmado.” A farmacêutica afirma ser capaz de produzir oito milhões de doses da vacina por mês.

Ontem (10), a Agência recebeu prazo de 48 horas, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, para informar quais documentos que estão faltando para a análise definitiva do pedido.






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