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Política & Poder

Centrão repensa aliança com Flávio Bolsonaro após áudios que mostram proximidade com Vorcaro

Integrantes do PL dizem que em mais de uma ocasião o senador afirmou, internamente, que não teria esqueletos no armário sobre o caso Master

Redação Jornal de Brasília

15/05/2026 13h48

Foto: Pedro França/Agência Senado

AUGUSTO TENÓRIO
FOLHAPRESS

A ala do centrão que caminhava para uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agora prega cautela e quer postergar ao máximo a decisão sobre formar ou não uma coalizão em torno do oposicionista. O grupo ligou alertas após a divulgação de áudios do pré-candidato do PL pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

É consenso no centrão que a revelação prejudicará o filho de Jair Bolsonaro (PL). Há ceticismo, porém, sobre o tamanho do impacto na intenção de votos do pré-candidato.

Dessa forma, lideranças de partidos do centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, avaliam que é a hora de esperar —primeiro as pesquisas e, depois, se novas revelações virão à tona.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a federação União Brasil-PP estava em forte negociação com Flávio Bolsonaro e tendia a uma aliança formal, com liberação de filiados em estados onde a associação ao presidente Lula (PT) é mais conveniente. No Republicanos, diversos diretórios pressionavam por apoio ao filho de Bolsonaro, mas nessa sigla o senador encontra mais dificuldade de diálogo.

Neste momento, Flávio Bolsonaro enfrenta uma crise de confiança interna. Integrantes do PL dizem que em mais de uma ocasião o senador afirmou, internamente, que não teria esqueletos no armário sobre o caso Master. Dessa forma, aliados que fazem parte da campanha reclamam que foram pegos de surpresa, sem qualquer tipo de plano estabelecido.

Longe de condenar moralmente a relação de Flávio com o Master, o centrão —que também tem integrantes na mira da investigação da fraude— quer esperar para não ser ainda mais tragado para a crise ou morrer abraçado a um candidato que pode enfraquecer. Seus integrantes também preferem observar de longe o desenrolar da crise no PL.

Lideranças do centrão perceberam o clima de “barata voa” após a divulgação do áudio e acompanharam com atenção as repercussões. Há relatos de discussões e suspeitas de vazamentos internos. Ninguém quer ser convidado para a casa de uma família em conflito, brincou uma dessas lideranças sobre a situação.

Trata-se de uma mudança de postura num curto intervalo de tempo. No fim de abril, aliados de Flávio Bolsonaro e uma ala expressiva do centrão avaliavam que o senador havia se tornado o favorito para vencer a eleição. As pesquisas de intenção de voto e a rejeição histórica do Senado à indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) colaboraram para o clima.

Uma série de fatores, porém, mudou o panorama do petista nas últimas duas semanas. Lula emendou um encontro bem-sucedido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o anúncio de um pacote de bondades que enfrenta o endividamento do eleitorado, contém o preço da gasolina e derruba a “taxa das blusinhas”. Além disso, viu um princípio de recuperação na última pesquisa Quaest.

Aliados do presidente Lula em partidos de centro afirmam ser cedo para celebrar, mesmo com o esperado desgaste de Flávio. Eles dizem que a eleição será apertada de qualquer maneira, partindo do pressuposto que o adversário conseguiu incorporar rapidamente o eleitorado do pai, cujo piso é alto.

O ÁUDIO

De acordo com informações reveladas pelo site The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha de S.Paulo com duas pessoas ligadas à investigação, Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse” (que significa “azarão”). Após a divulgação do áudio, Flávio disse a aliados que não haveria mais conteúdo para ser vazado sobre o assunto.

A Go Up Entertainment, produtora do filme, no entanto, afirma que não recebeu verbas de Vorcaro para o projeto. O deputado federal Mario Frias (PL), produtor executivo do filme, disse que Flávio “não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora”.

À reportagem interlocutores de Flávio relatam desconfiança com a garantia do pré-candidato e apontam que será difícil desfazer a imagem de mentiroso perante o eleitorado. Internamente, consideram que a quebra de confiança também é irreversível. A mensagem que fica, segundo descreve um correligionário, é que, se ele escondeu isso, pode ter escondido muito mais.

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