O ministro de Justiça brasileiro, José Eduardo Cardozo, e seu colega de Governo boliviano, Sacha Llorenti, observaram nesta terça-feira a destruição de cultivos de coca, base para a elaboração da cocaína que narcotraficantes exportam para o Brasil.
Cardozo chegou a Cochabamba para a primeira de duas jornadas de uma visita que também incluirá uma viagem à fronteira comum, para ver operações de aviões não tripulados, e que acabará na quarta-feira em La Paz com a assinatura de um acordo para aprofundar a cooperação bilateral contra o narcotráfico.
Os ministros sobrevoaram de helicóptero a província de Chapare, bastião sindical e político do presidente Evo Morales, ainda líder dos sindicatos de produtores de coca dessa região.
Llorenti, Cardozo e os jornalistas convidados para a viagem oficial assistiram à destruição realizada por soldados bolivianos, em apenas 15 minutos, de uma parcela de coca de 1,6 mil metros quadrados, onde as matas foram arrancadas e destruídas.
Cardozo destacou o esforço dos soldados por destruírem à mão as plantações de coca e disse que esta é a forma correta, porque não usam produtos químicos e respeitam os direitos dos camponeses.
Llorenti disse que foram destruídos dois mil hectares ilegais de coca neste ano e espera-se fechar 2011 com mais de 8,2 mil hectares erradicados, enquanto organismos da ONU e os Estados Unidos insistem que as plantações aumentam na Bolívia de forma constante desde que Morales chegou ao poder, em 2006.
Os dois ministros também destacaram o acordo que assinarão na quarta-feira para aprofundar a luta antidroga e minimizaram a contribuição de recursos tecnológicos dos Estados Unidos.
“Não está prevista nenhuma assinatura com os Estados Unidos, mas vocês sabem que estamos trabalhando em um acordo importante, que inclui o tema da luta contra o narcotráfico”, disse Llorenti, cujo Governo tem ressalvas em aceitar a ajuda de Washington pela política antiamericana de Morales.
Cardozo esclareceu que a relação deve se concentrar primeiro no planejamento das ações entre Brasil e Bolívia, inclusive em aspectos tecnológicos, e acrescentou que depois verá se países como os Estados Unidos e o Peru querem ajudar.
Llorenti anunciou que o Goveno estuda instalar em Cochabamba um centro de treinamento e capacitação regional em inteligência antidrogas, com apoio da Unasul.
A visita do ministro brasileiro responde à preocupação do Brasil pela crescente exportação de drogas da Bolívia ao país.
Cardozo disse que 60% das drogas que saem da Bolívia são consumidas no Brasil, por isso é necessário fortalecer a integração, a inteligência e o combate da corrupção.
“Nossa presidente, Dilma Rouseff, tem o combate ao crime organizado, à violência e ao consumo de drogas como uma tarefa fundamental de seu Governo”, afirmou Cardozo.
Llorenti, afetado pela recente detenção por drogas de um chefe de inteligência de seu Ministério, o general René Sanabria, afirmou que o acordo que será assinado na quarta-feira será exemplo para a região, para que depois se unam Peru, Argentina, Paraguai, Chile, Venezuela, Colômbia e Equador.
Sanabri, ex-chefe antidrogas de Morales (2007-08), foi detido em 24 de fevereiro no Panamá por contrabando de cocaína e deportado a Miami.
Llorenti reiterou a tese do Governo boliviano de que a metade da droga confiscada no país é de procedência peruana.
O acordo que será assinado na quarta-feira, segundo o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, inclui a cooperação dos Estados Unidos e menciona como observador o organismo antidrogas da ONU, ao qual Morales acusou de conspirar com Washington contra ele.