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Política & Poder

Candidaturas femininas crescem, mas representação segue baixa

Dados do Portal da Classe Política mostram avanço nas candidaturas, mas as mulheres ainda ocupam menos de um quinto das cadeiras na Câmara e nas assembleias estaduais.

Redação Jornal de Brasília

16/06/2026 10h06

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Imagem ilustrativa criada a partir de IA

O número de mulheres que disputam vagas para a Câmara dos Deputados cresceu quase dez vezes entre 1998 e 2022, mas esse avanço não se refletiu na mesma proporção na ocupação de cadeiras no Legislativo. No período, o total de candidatas à Câmara passou de 358 para 3.668, enquanto o número de deputadas federais eleitas subiu de 29 para 90.

Os dados estão no Portal da Classe Política, lançado nesta terça-feira (16) pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo o levantamento, nas eleições de 2022 as mulheres conquistaram 17,5% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 17,8% das vagas nas assembleias estaduais, os maiores percentuais da série histórica analisada, mas ainda abaixo de um quinto da representação parlamentar total.

Nas assembleias legislativas estaduais, o padrão é semelhante. Embora historicamente apresentassem maior participação feminina do que a Câmara, os dois níveis hoje convergem para cerca de 18% de representação de mulheres. O percentual segue distante tanto da paridade com os homens quanto do piso de 30% exigido para as candidaturas.

Segundo o estudo, parte do crescimento das candidaturas é explicada pela Lei das Cotas de Gênero e pela Minirreforma Eleitoral, que estabeleceu reserva mínima de 30% das candidaturas proporcionais para cada gênero. Os pesquisadores afirmam, porém, que a legislação não garantiu condições equivalentes de competição.

Para o cientista político Nilton Sainz, pesquisador da UFPR responsável pelo Portal da Classe Política, a baixa presença feminina no Legislativo está ligada a mecanismos de poder dentro dos partidos. Ele aponta o controle partidário dos recursos, a desigualdade no financiamento de campanha, a exclusão das mulheres dos cargos de decisão e o uso de candidaturas femininas sem viabilidade real, as chamadas candidaturas “laranjas”.

Na avaliação dos pesquisadores, a baixa representação feminina também afeta a agenda pública e reduz o debate sobre temas como combate à violência de gênero e ao feminicídio, política de cuidados de saúde e criação de creches. Nilton Sainz afirma que, quando as mulheres são excluídas dos espaços de poder, suas vozes são silenciadas e orçamentos destinados a essas áreas podem perder prioridade.

Além das informações sobre gênero, o Portal da Classe Política transforma dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em indicadores visuais, permitindo análises de candidaturas, patrimônio e financiamento de campanhas em 14 eleições, de 1998 a 2024. A ferramenta também permite examinar o perfil de candidaturas, eleitos e partidos em níveis municipal, estadual e federal, além de indicadores sobre patrimônio, taxas de reeleição e funcionamento do Legislativo.

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