São Paulo, 26 – A investigação da Polícia Federal (PF) concluiu também que o general Walter Braga Netto participou do planejamento da prisão e aprovou o plano de assassinato do então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O documento afirma que as chamadas “medidas coercitivas” previstas no plano Punhal Verde e Amarelo com o planejamento operacional para ações de Forças Especiais foram feitas para serem apresentadas ao general, que foi ministro da Defesa e da Casa Civil no governo Bolsonaro – e vice na chapa com a qual o então presidente tentou a reeleição.
“Os elementos probatórios obtidos ao longo da investigação evidenciam a sua participação concreta nos atos relacionados à tentativa de golpe de Estado e da abolição do estado democrático de direito, inclusive na tentativa de embaraçamento e obstrução do presente procedimento.” O general descrito como “figura central nos atos que tinham o objetivo de subverter o regime democrático no Brasil”.
Em manifestação no X (antigo Twitter), Braga Netto voltou a negar tratativas para um golpe de Estado no Brasil. “Reafirmo que nunca se falou em golpe.” No sábado passado, ele havia também negado a existência de um plano para assassinar autoridades.
Braga Netto é um dos personagens mais citados no relatório de 884 páginas da investigação que levou ao indiciamento ao seu indiciamento, do ex-presidente e outros 36 suspeitos por três crimes – tentativa de abolição do estado democrático de direito, golpe de Estado e organização criminosa.
Segundo o documento da PF, as “ações operacionais para o cumprimento de medidas coercitivas (prisão, assassinato etc.) foram planejadas em reuniões que ocorreram na cidade de Brasília, nos meses de novembro e dezembro de 2022”. Ainda segundo os federais, em reunião do dia 8 de novembro, pouco depois do segundo turno da eleição presidencial, os militares investigados ajustaram a elaboração do plano que seria exibido a Braga Netto.
“O documento denominado ‘Punhal Verde Amarelo’ foi elaborado e impresso no dia 09/11/2022, no Palácio do Planalto, pelo secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência, general Mário Fernandes, que é um ‘FE’ (Força Especial)”, diz o relatório.
O plano elaborado por Fernandes descreve o levantamento da estrutura de segurança do ministro Moraes, os meios que deveriam ser empregados e a ação final de prisão e execução do ministro. O planejamento também estabelecia a possibilidade, dentre as ações dos kids pretos, como são conhecidos os FEs, o assassino de Lula por envenenamento ou uso de químicos e de seu vice, “com a finalidade de extinguir a chapa presidencial”.
Em 12 de novembro de 2022, o relatório afirma que o então ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cesar Cid, e o então major Rafael Martins de Oliveira (hoje tenente-coronel) e o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima se reuniram com general Braga Netto, na residência funcional do general, em Brasília.
Segundo os federais, eles “apresentarem o planejamento das ações clandestinas com o objetivo de dar suporte às medidas necessárias para tentar impedir a posse do governo eleito e restringir o exercício do Poder Judiciário”. Foi ali que, segundo a PF, o plano “Copa 2022″” – parte integrante do plano Punhal Verde e Amarelo – para emprego dos militares kids pretos na prisão de Moraes no dia 15 de dezembro foi aprovado.
Ataques pessoais
De acordo com a investigação, além de participar do plano golpista, Braga Netto teria dado ordens para que o ex-major Ailton Gonçalves Barros direcionasse ataques pessoais – inclusive a familiares – ao então comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, e ao então comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior. Também deveriam elogiar o então comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier, um dos 37 indicados no inquérito. E teria orientado a “disseminação de notícias, com o objetivo de atingir a reputação do general Tomás Miguel Miné Ribeiro de Paiva, atual comandante do Exército (…), que também adotou uma posição legalista”.
Estadão Conteúdo