O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estuda fazer uma nova nomeação do delegado Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal e remover do Comando do Exército o general Edson Leal Pujol.
Sobre a exoneração de Pujol, o caso tem sido comentado há algumas semanas. No sábado (2), em reunião entre Bolsonaro e os três comandantes militares, o assunto teria sido levantado novamente.
O motivo da exoneração seria a resistência de Pujol a aderir à campanha bolsonarista para minimizar a importância da pandemia da covid-19. O general e o presidente divergem: enquanto um fala em “gripezinha”, o outro quer combater o vírus, no que ele chama de “maior missão de nossa geração”.
A especulação é de que o presidente quer seu mais canino aliado entre os generais em cargos estratégicos do governo, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), na cadeira de Pujol.
Procurado, Ramos negou veementemente a possibilidade. “Não sei de onde isso saiu. Não discutimos isso. Tem uns seis generais mais longevos do que eu na fila”, disse ao jornal Folha de S. Paulo.

Comandante do Exército, Edson Leal Pujol. Foto: Divulgação
Ramagem
Amigo da família de Bolsonaro, cujos filhos estão sob investigações que ou são feitas, ou passam pela PF, Ramagem teve sua indicação barrada por decisão provisória do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, na quinta (30).
Segundo um auxiliar direto do presidente, ele avalia o que ministros palacianos classificaram de “chutar o pau da barraca”. Ou seja, tentar emplacar novamente Ramagem.
Na sexta retrasada (24), o então ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) deixou o cargo acusando Bolsonaro de querer interferir politicamente na PF, retirando da chefia Maurício Valeixo. O que veio a seguir, a escolha de Ramagem, corroborou a visão de Moro – que depôs sobre o caso por quase nove horas no sábado, entregando informações sobre pressão de Bolsonaro.
Com informações da Folhapress