Mais uma vez o nome do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) está no centro de uma confusão. Nesta manhã, a reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que discute o projeto que prevê punições para discriminação de homossexuais, terminou em confusão depois que o deputado tentou exibir um panfleto “antigay” atrás da senadora Marta Suplicy (PT-SP), durante uma entrevista que ela concedia no Senado.
Este panfleto que Bolsonaro tentava exibir havia sido distribuído por ele em escolas do Rio de Janeiro. No comunicado ele critica o MEC e alega que o Ministério e grupos LGBT incentivam a homossexualidade. Ele criticou também o que ele apelidou de “kit gay”, filmes e cartilhas contra a discriminação sexual que o MEC deve começar a distribuir nas escolas de ensino médio no segundo semestre. . “Querem, na escola, transformar seu filho de 6 a 8 anos em homossexual”, diz o panfleto.
A atitude de Bolsonaro de tentar mostrar o planfeto irritou a senadora Marinor Brito (PSOL-PA). A confusão se iniciou depois que ela deu um tapa nas mãos do deputado para tentar tirar o panfleto da mão dele. “Depois dizem que não tem homofóbico aqui. Tu és homofóbico. Tu deveria ir pra cadeia! Tu deveria ir pra cadeia! Tira isso daqui. Homofóbico, criminoso, criminoso, tira isso daqui, respeita!”, disse a senadora.
Durante a confusão a senadora Marinor Brito ainda acusou o deputado de praticar homofobia com dinheiro público. “Isso foi feito com dinheiro público. É homofobia com dinheiro público”, falou.
Diante da confusão, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Paulo Paim (PT-RS) mandou fechar a porta do plenário, para que o exame de outras matérias pudesse ser realizado sem barulho.
A senadora Marinor Brito disse que irá denunciar Bolsonaro à Corregedoria da Câmara por quebra de decoro. Ela irá protocolar a denúncia na Corregedoria na próxima semana.
Projeto
O projeto que estava sendo discutido prevê punições para quem impedir manifestações de afetividade entre pessoas homossexuais em locais públicos, quem recusar ou sobretaxar a compra ou a locação de imóveis em razão de preconceito, ou quem, pelo mesmo motivo, prejudicar recrutamento, promoção profissional ou seleção educacional.