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Após motociata, Bolsonaro cita Deus e militares, enaltece PM-SP e cloroquina e ataca isolamento

O presidente também voltou a falar em supernotificação de mortes por coronavírus, boato já desmentido pelo TCU

Foto: Miguel Schincariol/AFP

Renata Galf
São Paulo-SP

Em discurso no Ibirapuera em São Paulo diante de millhares de apoiadores, após participar de uma motociata neste sábado (12), o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar as políticas de isolamento e disse comandar um governo que acredita em Deus, é leal à população e que respeita os militares.

Bolsonaro também rasgou elogios aos policiais militares paulistas que trabalharam na segurança do evento e disse que que tinha certeza que a PM estaria junto a ele no “cumprimento da lei e da ordem”, expressão que geralmente utiliza ao ameaçar que tomará medidas contra o isolamento social.

“Vocês são auxiliares das Forças Armadas. Tenho certeza que, no cumprimento da lei e da ordem, pelo cumprimento dos dispositivos constitucionais, nós estaremos juntos, aconteça o que acontecer”, disse o presidente, em clara provocação ao governador João Doria (PSDB), seu adversário político e chefe da PM do Estado.

Bolsonaro diz não estar em campanha eleitoral e falou em “problema sério do vírus”, voltando a equipará-lo ao desemprego. Disse que nunca se curvou à pandemia e, mais uma vez, sugeriu uma regra para dispensar o uso de máscara. “Eu autorizo”, gritaram em resposta os seus apoiadores.

Alvo de investigação da CPI da Covid no Senado, o presidente de novo defendeu o tratamento precoce, citando a cloroquina, e atacou as políticas de isolamento contra a pandemia, em ataque direto a Doria. “Fora, Doria”, responderam os apoiadores em mais de um momento. Bolsonaro ainda chamou o tucano de ditador, por ter decretado toque de recolher, e o desafiou a participar de um evento como a motociata.

Ainda sobre a pandemia, disse que nunca mandou fechar as igrejas. O presidente citou de novo que atua dentro das “quatro linhas da Constituição”.

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“Quando vamos no artigo 5º da Constituição, que é o capítulo das cláusulas pétreas, entre as dezenas de incisos, encontramos o direito ao trabalho, coisa que o governador de vocês retirou de vocês quando tirou de vocês. O direito de ir e vir, quando o governador que se diz democrata mas é um ditador, decretou toque de recolher”, disse.

Além disso, voltou a falar em supernotificação de mortes por coronavírus, o que já lhe rendeu um desmentido nesta semana pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

O uso de máscaras entres os apoiadores de Bolsonaro que compareceram ao Ibirapuera nesta tarde foi maior do que entre os motociclistas que se reuniram pela manhã para a motociata, onde a máscara era um item quase inexistente.

No Ibirapuera, uma parcela significativa não usava, e parte utilizava incorretamente, sem proteger o nariz. Entre os que estavam de máscara, eram raras as de PFF2, mais seguras. A reportagem viu apenas algumas pessoas com este tipo de máscara.

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Os apoiadores acompanharam o discurso do presidente na praça do Monumento às Bandeiras. Cerca de metade da praça estava ocupada. Muitos dos presentes utilizavam camisetas e bandeiras do Brasil ou camisetas de apoio ao presidente.

Entre os dizeres de algumas das camisetas utilizadas por apoiadores -e que podiam ser compradas em diferentes pontos do local-, estavam “Bolsonaro presidente 2022”, “meu partido é o Brasil”, “O Brasil é nosso, desistir jamais”, “o Brasil que queremos só depende de nós”.

No discurso, todo de improviso, o presidente prometeu de novo liberar motociclistas de pedágios em novas concessões de rodovias e voltou a falar sobre a trajetória que o levou ao Palácio do Planalto em 2018, inclusive da facada em Juiz de Fora.

Bolsonaro disse que montou um time técnico no ministério que trabalha por todos os estados do país.
Bolsonaro estava ao lado dos ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), ambos sem máscara. Bolsonaro tem incentivado Tarcísio a se lançar candidato ao Governo de São Paulo em 2022. Apoiadores responderam com gritos de “governador, governador”.

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Antes da fala do presidente, organizadores em um caminhão de som puxaram orações e gritos de ‘mito’ e palavras de ordem contra o STF (Supremo Tribunal Federal).

Com o presidente à frente, sem máscara, a manifestação intitulada “Acelera para Cristo” começou às 10h, na região de Santana, zona norte da capital, e terminou no obelisco do Ibirapuera, às 13h30. O trajeto, que incluiu um bate-volta a Jundiaí, foi de cerca de 130 km.

Apesar do pano de fundo religioso do evento, a toada de todo o dia foi de apoio a Bolsonaro. Ao longo do trajeto, gritos de “aqui é Bolsonaro”, “viva, Bolsonaro” e “isso está gigante” se misturaram com barulho de buzinas e ronco dos motores das motocicletas. Houve também gritos contra a imprensa e o governador João Doria (PSDB), adversário político do presidente.

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O presidente chegou de carro cerca de 15 minutos antes, cumprimentou diversos apoiadores e causou aglomeração. Antes de partir, foi levantado e cumprimentou apoiadores do alto. Eram tantas motos que as últimas delas só conseguiram deixar a concentração quase uma hora após o início da motociata.

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Na concentração e na dispersão houve aglomeração de apoiadores. Já a maioria dos motociclistas não usava máscara de proteção contra a Covid-19 e tinha bandeiras do Brasil amarradas no corpo. O presidente foi saudado por apoiadores em diferentes pontos do trajeto.

As informações são da Folhapress






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