Millena Lopes
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O ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), preso nesta terça-feira, acusado de participar de um esquema de desvio de recursos das obras de reconstrução do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, forma um grupo político que se organiza para enfrentar o governador Rodrigo Rollemberg, nas próximas eleições. Junto do PP, do PTB, do DEM e, provavelmente, do PSDB, o PMDB tinha intenção de encabeçar chapa para o Palácio do Buriti. Alírio Neto (PTB), que faz parte do grupo, avalia que, com a prisão do ex-vice e citação do deputado federal Rogério Rosso (PSD), outros nomes ganham força na corrida eleitoral.
O próprio Alírio é um dos que disputam a preferência dos pares para ser o candidato ao Governo do DF em 2018. Depois de dizer que a prisão de Filippelli não atrapalha os planos do grupo, ele reconhece que a candidatura dele está inviabilizada. “A não ser que ele consiga provar a inocência”, observa.
“Não posso negar que, de alguma forma, beneficia minha situação”, ele diz, antes de emendar: “Não só a minha, a do Fraga também”. O ex-deputado distrital se refere ao atual deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), que preferiu não comentar o assunto. Ele é um dos que posava ao lado do peemedebista nos encontros para discutir o futuro político da capital federal.
Ao lançar o bordão de que “uma coisa não tem nada a ver com a outra”, Alírio reforça que a prisão desta terça-feira é “uma questão pessoal” de Filippelli e que vai ser discutida na Justiça. “A oposição que está sendo construída não tem nada a ver com a situação dele”, reitera.
Presidência do PMDB
Um dos trunfos de Filippelli, que é presidente do PMDB-DF, era a proximidade com o presidente Michel Temer, a quem ele assessorava de perto. A exoneração dele do cargo de assessor especial da Presidência da República deve estampar o Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24). “Resta saber se ele mantém a presidência do partido”, provoca Alírio.
A aliança, ele diz, “não é com a pessoa, é com o institucional”. O nome dele, explica Alírio, estava colocado como pré-candidato ao governo, mas agora a situação muda. “Fica difícil manter essa posição”, aponta. “Na minha opinião, está inviabilizada a candidatura dele ao governo”, reitera.
Embora Rogério Rosso não tivesse confirmado participação na aliança do grupo, Alírio aponta que havia uma possibilidade de se reunirem para o ano que vem. A citação do nome dele como provável beneficiário das propinas complica também o futuro do parlamentar, que já foi governador do DF.
Entenda
Filippelli e outros nove investigados – incluindo os ex-governadores Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda – foram presos na manhã desta terça-feira (23), pela Polícia Federal, que deflagrou a Operação Panatenaico para investigar desvio de dinheiro das obras de reconstrução do Estádio Nacional de Brasília para a Copa do Mundo de 2014. Conforme as investigações e com base na delação premiada dos empreiteiros da Andrade Gutierrez, o superfaturamento do estádio pode ter chegado a R$ 900 milhões, já que a arena custou mais de 1,8 bilhão e foi orçada inicialmente por R$ 600 milhões.