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A Revolta do Forte

Exército repeliu e matou quase todos os que desafiaram o governo Arthur Bernardes

Por Gustavo Mariani 05/07/2022 9h43

Se 1922 foi marcado pela sempre referida Semana da Arte Moderna, em São Paulo, acontecimento de também grande importância marcou o Rio de Janeiro: o episódio que ficou conhecido por Revolta dos 18 do Forte de Copacabana e que, hoje, faz 100 viradas de calendário.

A história pega fogo, no primeiro dia de março, quando Artur Bernardes, apoiado por fazendeiros cafeeiros, tornou-se presidente da república, gerando rebeliões populares em vários Estados e insatisfações dos militares, que apoiavam o candidato Nilo Peçanha. E ficaram mais insatisfeitos, ainda, com a nomeação de um civil para ministro da Guerra.

Os revoltosos, liderados pelo tenente-coronel Euclides Hermes da Fonseca, que foi preso, esperavam contar com o apoio de líderes políticos estaduais e de quartéis cariocas. Mas tudo só aconteceu no Forte de Copacabana e com o Governo já sabendo do que iria rolar e o que queriam jovens tenentes e capitães do Exército.

Era o 5 de julho, quando o Forte de Copacabana foi bombardeado, por militares governistas, que exigiam a rendição dos 301 colegas que estavam por lá. Daqueles, 272 se renderam, enquanto os restantes decidiram sair em marcha, pela Avenida Atlântica, munidos com rifles e revólveres. Pelo meio do caminho alguns desistiram, ficando só 18 mais corajosos. No final das contas, dois tenentes (Siqueira Campos e Eduardo Gomes) e dois soldados ficaram feridos, enquanto os demais foram abatidos pelas balas do Exército, que matou também, o civil Otávio Correia, que se juntara aos desafiantes.

A tentativa fracassada, quando nada, serviu para a eclosão de outros movimentos desejosos de dar um fim à força política dos oligarcas cafeeiros paulistas e mineiros, que se alternavam no comando dos governos do país e, segundo os militares, ganhavam as eleições à base de fraudes. Nada do que foi tentado, porém – Comuna de Manaus-AM, em 1924; Revolução Paulista, do mesmo período, e a Coluna Prestes, liderada pelo militar gaúcho Luís Carlo Prestes, que varou rincões, entre 1925 a 1927 – deu certo, como pensavam os revoltosos.

O que fez surgir o tenentismo que gerou a Revolta do Forte de Copacabana foram desagrados que já vinham desde 1894, época em que o presidente da república, Prudente de Morais, geria o país à base do clientelismo, do mandonismo e do coronelismo. Fase acentuada pelos inícios do “toma lá, dá cá”, principalmente, por parte dos governadores estaduais – que devem ter ensinado aos políticos que os seguiram, pois, até hoje, a prática é repetida.

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