Brasília, 17 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 17, que discorda do posicionamento da União Europeia sobre a China, que foi discutida na Cúpula do G7. Os europeus se queixam de uma competição desigual com os chineses, e Lula diz “não querer entrar na briga” e que o país asiático é um “parceiro privilegiado” do Brasil
“Nós não queremos entrar na briga dos dois. Para nós, a China é importante. Eu não tenho nenhuma queixa da China. A balança comercial com o Brasil é de US$ 165 bilhões com superávit para o Brasil. A relação com os EUA, ano passado, foi de US$ 80 bilhões, com déficit de US$ 10 bilhões para o Brasil. Então, obviamente, a China passa a ser um parceiro privilegiado para o Brasil”, afirmou Lula em declaração à imprensa em Genebra (Suiça).
Lula afirmou ainda que os investimentos chineses da BYD motivaram a concorrentes brasileiras a aumentarem os investimentos. Ele lembrou que depois da chegada da empresa, outras indústrias anunciaram investimentos, até 2030, de R$ 190 bilhões.
“Quando a China vem com a BYD fazer investimentos na Bahia, imediatamente, as indústrias brasileiras anunciaram para mim um investimento, até 2030, de R$ 190 bilhões, coisa que não faziam há muitos anos. A participação da China tem mobilizado as pessoas a participar”, afirmou.
O presidente avaliou ainda que, após a queda do Muro de Berlim, no final dos anos 1980, a União Europeia focou em expandir o mercado para o Leste Europeu, esquecendo a América Latina e a África privilegiadas posteriormente pelos chineses. Lula disse ainda que os Estados Unidos também se esqueceram destas regiões
Na declaração à imprensa, Lula voltou a dizer que é a favor da participação estrangeira na exploração de terras raras e minerais críticos, desde que os países detentores possam ter valor agregado.
“Quanto mais países estiverem interessados em fazer investimentos nos nossos países, em comprar nossos produtos, e estiverem dispostos a contribuir participando da exploração, industrialização e do enriquecimento das terras raras e minerais críticos, desde que seja nos nossos países, sejam bem-vindos”, afirmou.
Lula disse também que, durante a cúpula do G7, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou o costume de endossar que o país dele é o mais importante da economia global e que os outros possuem dependência. Os dois não conversaram durante o encontro em Évian-les-Bains, apesar de uma expectativa inicial.
“Os Estados Unidos continuam dizendo que (são) o país mais importante do mundo, de que é o celeiro da economia mundial e que todo mundo depende dos Estados Unidos”, afirmou Lula.
Lula participou da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, iniciada na terça-feira, 16. Nas reuniões nas quais participou, o presidente discutiu o avanço da inteligência artificial e o desenvolvimento econômico de países emergentes.
Os países do G7 emitiram oito declarações ao fim da reunião, mas o Brasil endossou apenas três delas, que trataram sobre segurança no espaço digital, combate ao câncer e ao narcotráfico Segundo Lula, isso se deu porque o Brasil possui uma “visão diferenciada” dos temas.
Estadão Conteúdo