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Exposição pré-natal ao paracetamol pode causar distúrbios neurológicos, reprodutivos e urogenitais no feto

Apesar da crença de que o medicamento é seguro e sem riscos, ainda há muitas dúvidas da ciência sobre seus possíveis efeitos colaterais, tanto para a mãe quanto para o bebê

Foto: Divulgação/Tereza Sá

Dra. Bruna Pitaluga*

Por conta de suas propriedades analgésicas e antipiréticas, o paracetamol é bastante utilizado na gravidez para alívio de dores e redução da febre. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 65% das mulheres do país fazem uso do fármaco em algum período da gestação, apontam estudos. Apesar da crença de que o medicamento é seguro e sem riscos, ainda há muitas dúvidas da ciência sobre seus possíveis efeitos colaterais, tanto para a mãe quanto para o feto.

Pesquisas experimentais e epidemiológicas vêm indicando que a exposição pré-natal ao paracetamol pode alterar o desenvolvimento do feto, elevando, assim, o risco de distúrbios neurológicos, reprodutivos e urogenitais. E um estudo recente apontou que o uso prolongado do fármaco na gravidez aumenta as chances de desenvolvimento de transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtornos do espectro autista (TEA) nos bebês.

Importante órgão da gestação, responsável por fornecer nutrientes e oxigênio ao feto, a placenta pode permitir a passagem de microrganismos (vírus e bactérias), toxinas e medicamentos. O paracetamol, por exemplo, atravessa prontamente a barreira placentária e hematoencefálica, que “isola” o cérebro do resto do corpo e, por isso, deixa o feto mais suscetível aos danos e transtornos já citados.

Mas a gestante e seu feto ficam mais vulneráveis a efeitos tóxicos do paracetamol em razão de alterações no metabolismo do medicamento ocasionadas durante a gravidez. Neste período, há um aumento da quantidade de plasma no sistema circulatório e na filtração do sangue dentro dos rins, que pode afetar a forma como um medicamento age no organismo.

Isso faz com que o composto seja rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal e atinja a concentração máxima no plasma em cerca de 30 minutos após sua ingestão, sendo, posteriormente, metabolizado no fígado e excretado principalmente pelos rins.

Tendo em vista o potencial danoso do paracetamol durante a gravidez, por conta de alterações do metabolismo de medicamentos e da permissividade placentária, seu uso neste período envolve uma avalição de benefícios potenciais para a mãe e o feto e possíveis riscos à criança que está sendo gerada.

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A gestação é um evento fisiológico, programado metabolicamente para manter a integridade da mãe e do bebê. Sendo assim, diante de qualquer sintoma adverso, como dor, a gestante deve ser avaliada pelo médico obstetra. E cabe ao profissional responsável pelo acompanhamento pré-natal a prescrição de medicamentos para alívio da dor.

* Dra. Bruna Pitaluga é médica obstetra, formada pela UnB, com mais de 20 anos de experiência profissional, especializada em medicina funcional e pós-graduada em nutrologia.






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