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Mundo

YouTube amplia conquistas virtuais e prepara salto publicitário

Arquivo Geral

15/10/2008 0h00

Com apenas 30 anos, seek Chad Hurley é, approved sem dúvida, pilule um dos homens mais ricos que passou por Mipcom, mas, como todo milionário, quer mais: hoje anunciou em Cannes um novo acordo com a “RAI” e estuda isoladamente o crescente negócio publicitário em seu portal.

“O YouTube é só a extensão superdimensionada do que era o dia um de sua criação”, assegura Hurley, o mesmo que, em fevereiro de 2005, em uma garagem do Vale do Silício nos Estados Unidos, criava junto a Steve Chen e Jawed Karim um aplicativo para compartilhar vídeos na internet, o qual revolucionaria o mundo.

Nestes dias, na feira audiovisual Mipcom, “vídeo sob demanda” foi uma das expressões mais ouvidas e o culpado deste conceito -que provocou a adaptação de todas as televisões do mundo- compareceu hoje perante um grupo reduzido de veículos de comunicação não para se desculpar, mas para continuar confirmando sua ameaça.

“Quase todos os usos recebidos pelo YouTube foram inesperados para os que o criaram, mas acho que a posição de internet como inimigo das televisões já está superada, porque pouco a pouco vamos encontrando formas de que todos sejam beneficiados”.

Milhares de televisões vêem seus conteúdos caírem na rede pouco após serem exibidos e, como conseqüência, milhares de espectadores se transferem ao portal, que já soma 280 milhões de visitas mensais.

Assim, apesar de sua vocação inicial de ser “o palco do mundo”, o YouTube mudou seu rumo no momento em que foi comprado pelo Google por US$ 1,76 bilhão, em 2006.

Desde então, “a função do portal se transformou em uma mistura entre o apoio ao criador individual, para dar oportunidade a grandes contadores de histórias anônimos, e as empresas de comunicação e lazer tradicionais”, e esse parece ser o caminho seguido pelo YouTube.

Hoje, a “RAI” se somava a outras cadeias, como “CBS”, “Lionsgate” e “Antena 3” ou fonográficas como Sony BMG e Warner, que fecharam acordos com o YouTube, que voltou a lavar as mãos em matéria de direitos autorais.

“É um tema muito complexo, com legislações que mudam de país a país”, disse Hurley sem entrar em detalhes, mas deixando claro que “pouco a pouco esta maneira de consumir televisão vai se tornando mais e mais sólida, por isso talvez seja preciso começar a assumir que isto faz parte da revolução digital”.

Mas, enquanto preparam a definitiva ampliação da duração dos vídeos compartilhados na internet -até agora limitada a dez minutos-, com um sistema de legendas já em andamento e inclusive com as campanhas políticas de Estados Unidos ou Espanha contando com seu poder de convocação, qual será o próximo passo para o YouTube?

Por enquanto, a publicidade começa a ganhar espaço. Os conteúdos com mais acesso já receberam autorização, há quatro meses, para incluir anúncios, e Hurley volta a pôr as cartas sobre a mesa.

“Somos um campo especialmente pouco vulnerável à crise econômica. A publicidade on-line está crescendo cada vez mais, porque é muito mais fácil de medir seu impacto e de dirigir ao público-alvo”, disse.

E, como se fosse pouco, a programação própria também está em suas metas. Além de criar seu próprio festival de curtas-metragens e de permitir aos usuários enviar perguntas aos Rolling Stones, o YouTube também começa a financiar sua própria programação.

Assim, Hurley aposta em Seth MacFarlane, o criador de “Uma Família da Pesada”, o qual financiou junto ao Burger King uma série de curtas-metragens exclusiva para o portal.

“Para nós não resta pureza à idéia original do YouTube. Seguimos ajudando as pessoas que achamos que têm algo a contar”, reconhece.

O YouTube viveu períodos menos agradáveis, como quando o grupo maoísta e terrorista peruano Sendero Luminoso divulgou através da página suas mensagens proselitistas, ou como quando o coreano Cho Seung-hui disponibilizou seu discurso anterior ao massacre que cometeu na universidade de Virgínia, nos Estados Unidos.

Apesar destes casos, perante os quais o YouTube, como com o conteúdo pornográfico, impôs a censura, Hurley assume que “não é possível controlar tudo o que acontece na internet, embora nós apaguemos esses conteúdos assim que são localizados”.

Quanto à saturação de material provocada pela abertura global de um formato, Chad Hurley segue mostrando um otimismo inabalável: “Acreditamos na capacidade dos melhores para se impor ao resto”, destaca, com a segurança de servir como exemplo para sua própria afirmação.

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