O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, assumiu nesta terça-feira a responsabilidade pelas atuações de seu assessor, Bernardo Moreno, punido ontem com a proibição de exercer cargos públicos por 18 anos por ter participado de um esquema de escutas ilegais.
Além disso, Uribe se pôs à disposição do Congresso e da Corte Suprema de Justiça do país para que seja investigado.
“Assumo a responsabilidade jurídica e política por essa conduta”, afirmou o ex-presidente por meio de comunicado revelado hoje pela rádio “RCN”.
A Procuradoria colombiana destituiu e desabilitou Moreno outros três funcionários próximos a Uribe por espionaren opositores, jornalistas e juízes.
“Foi meu costume assumir responsabilidades na vida pública e na atividade privada, e nesta ocasião não pode haver exceção”, ressaltou o ex-governante.
Uribe lembrou que Moreno só averiguou, perante o Departamento Administrativo de Segurança (DAS) e a Unidade de Informação e Análise Financeira (Uiaf), sobre as denúncias de alguns veículos de imprensa sobre o “possível envolvimento de narcotraficantes com magistrados”.
“Ele nunca sugeriu atividades ilegais”, disse Uribe, acrescentando que se colocará “à disposição do Congresso da República e da Corte Suprema de Justiça”.
Além de afastar Moreno por 18 anos, a Procuradoria-Geral da Nação (Ministério Público) proibiu os ex-diretores do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) Jorge Noguera, María del Pilar Hurtado e Andrés Peñate de exercerem cargos públicos por 20 anos, 18 anos e 8 meses, respectivamente.
O procurador Alejandro Ordóñez afirmou que o então assessor de Uribe “extrapolou suas funções” ao realizar, em abril de 2008, uma reunião na Casa de Nariño (sede do Governo) com funcionários do DAS e da Uiaf.
A reunião tinha como fim passar aos funcionários “informação reservada” sobre um amigo dos magistrados da Corte Suprema de Justiça (CSJ), cujo Tribunal manteve várias disputas com Uribe.