Assim afirmou hoje o diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na América Latina, Nils Kastberg, que participa da conferência mundial sobre racismo realizada esta semana em Genebra.
“Existe um claro padrão de discriminação contra esses grupos”, declarou o representante do Unicef, que lamentou que a sucessão de Governos democráticos na região tenha sido incapaz nas últimas décadas de reverter tal situação.
Dos 150 milhões de afro-descendentes – em grande parte no Brasil – e entre 40 e 50 milhões de indígenas, a metade é composta por crianças, “que sofrem de discriminação econômica, social e cultural”, disse Kastberg.
Para ilustrar a afirmação, ele disse que ambas as minorias estão representadas entre as 71 a 75 mil crianças menores de cinco anos que morrem a cada ano em México e Brasil, segundo ele, “dois dos países onde se observam os problemas maiores” por serem também os de maior peso demográfico.
Em termos de pobreza, “as crianças indígenas e afro-descendentes são duas vezes mais pobres em relação ao resto” e são os países com maior representação desses grupos onde os níveis de desnutrição infantil são mais elevados.
Kastberg afirmou que em Bolívia, Peru, Equador, Honduras, Nicarágua e Paraguai a desnutrição crônica supera 25%, enquanto na Guatemala chega a 41%.
O diretor lamentou também que na conferência “ninguém fale da metade da população do mundo (as crianças, adolescentes e jovens), que são os que não votam”. Por isso, disse que abordará o assunto em discurso que deve realizar amanhã neste fórum.