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Umberto Eco chama Berlusconi de "zumbi muito perigoso" em lançamento de livro

Arquivo Geral

13/12/2010 16h53

O escritor italiano Umberto Eco chegou à Espanha para lançar seu último livro “O cemitério de Praga”, e aproveitou para comparar o protagonista antipático e preconceituoso com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, “um morto-vivo, um zumbi muito perigoso”, observou.

Eco, narrador, ensaísta e um dos intelectuais mais respeitados do cenário internacional, sempre criticou Berlusconi, que se submeterá a uma moção de censura no Parlamento na terça-feira.

Durante o lançamento de “O cemitério de Praga” e a comemoração dos 30 anos de “O nome do rosa”, sua primeira obra de ficção, o autor italiano não poupou Berlusconi e a atual política de cortes no orçamento para cultura, situação que qualificou de “grave”.

Também alertou sobre a proliferação do populismo e a perda da força do Parlamento.

Para seu novo livro, Eco tinha anunciado a criação do personagem mais antipático e desprezível da história da literatura: Simonini, um italiano glutão do século XIX, que vive em Paris, odeia os judeus, as mulheres, os maçons, os jesuítas e a vida em geral, decide escrever suas memórias em 1897.

“Não tenho amigos judeus (Graças a Deus), sempre evitei os judeus. Talvez tenha os evitado por instinto, porque tanto o judeu quanto o alemão se reconhece pelo cheiro”, diz o personagem do livro.

“Quando escrevi a história imaginei como os leitores iriam receber o Simonini e se poderiam confundir a ficção com a realidade”, explicou o escritor.

“Na Itália, 600 mil exemplares foram vendidos só no primeiro mês. Não entendo como uma obra como esta, com este protagonista, tenha vendido tanto. Talvez todos tenham enlouquecido, e como se sabem, claro, votam em Berlusconi”, declarou Eco com humor e ironia.

 

 

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