A União Europeia (UE) defendeu hoje a retomada “o mais rápido possível” das negociações entre israelenses e palestinos, apesar do perigo que a atual onda de violência representa para o reatamento do processo de paz.
A recente escalada de violência entre israelenses e palestinos “afeta negativamente” o reatamento das negociações, reconheceu a Alta Representante para a Política Externa da UE, Catherine Ashton, após uma reunião do Conselho de Ministros de Exteriores do bloco.
Os ministros respaldaram a declaração que o Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, UE, ONU e Rússia) emitiu na sexta-feira passada, na qual se apoiou a criação de um Estado palestino independente em 24 meses uma vez que sejam reiniciadas as negociações.
O reatamento das negociações “é o objetivo fundamental” dos esforços internacionais, assinalou Ashton.
As negociações “de aproximação” (de forma indireta, com os EUA como intermediários) deveriam começar “o mais rápido possível”, mas devem ser “significativas” e com um “compromisso autêntico” por parte de israelenses e palestinos, destacou a chefe da diplomacia europeia.
Ashton expôs aos ministros o resultado de sua viagem da semana passada pelo Oriente Médio, onde visitou Egito, Síria, Jordânia, Israel e os territórios palestinos da Cisjordânia e de Gaza. Já o enviado especial do Quarteto, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, explicou a atual situação na região.
A responsável comunitária condenou a recente escalada da violência na região, que matou quatro palestinos nas últimas 48 horas na Cisjordânia, em incidentes que “devem ser investigados”.
A onda de violência surgiu após o anúncio israelense da semana passada da construção de um bairro de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, o que gerou a rejeição dos palestinos e também da comunidade internacional.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está hoje em Washington para se reunir amanhã com o presidente americano, Barack Obama, que manifestou seu descontentamento pela decisão de Israel.
Em Bruxelas, os ministros comunitários não pouparam críticas à expansão dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos.
Ashton disse claramente que essa atividade “deve concluir”, enquanto o chanceler finlandês, Alexander Stubb, considerou a decisão israelense como “totalmente inaceitável” e equiparável ao lançamento de mísseis da Faixa de Gaza contra o território israelense, que causou uma morte na quinta-feira passada.
“Os assentamentos são ilegais”, resumiu o titular de Exteriores do Reino Unido, David Miliband, posição compartilhada com o ministro francês, Bernard Kouchner.
Apesar de tudo, Tony Blair considerou hoje que continua havendo “vontade” por parte de palestinos e israelenses de “retomar as negociações diretas o mais rápido possível”, apesar dos retrocessos “muito sérios” das últimas semanas.
“Os eventos das últimas duas semanas foram muito sérios, significaram um retrocesso, mas esses contratempos acontecem e o fundamental é retomar” o processo, assinalou o ex-primeiro-ministro britânico após o encontro com os ministros dos 27 países-membros da UE.
Imediatamente depois, Blair discursou no Parlamento Europeu em uma conferência sobre a situação no Oriente Médio na qual ressaltou que a solução dos dois Estados promovida pela comunidade internacional é apoiada pela “maioria de israelenses e palestinos”.
O representante do Quarteto para o Oriente Médio se mostrou contra um possível reconhecimento unilateral do Estado palestino por parte da UE e outros atores e defendeu que, acima de “gestos”, “a única solução duradoura é negociada”.
“Temos que conseguir um processo político claro e construtivo”, insistiu.
Blair centrou grande parte de seu discurso na importância de apoiar as autoridades palestinas para reforçar suas capacidades de Governo e impulsionar a economia.
Para concluir a reunião, o ministro de Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, se reuniu hoje em Bruxelas de forma privada com seus colegas da Alemanha, Holanda, Finlândia, Lituânia e Malta, indicaram fontes diplomáticas.
Essa presença de Lieberman se deveu a que, embora tenha sido adiado o Conselho de Associação UE-Israel previsto para esta semana, havia vários encontros bilaterais e atos de arrecadação de fundos que queria cumprir, indicaram fontes diplomáticas.