Os ministros de Economia e Finanças da União Europeia deram hoje sinal verde para o relatório da Comissão Europeia (órgão executivo do bloco) que diz que o pacote adicional de medidas de consolidação fiscal adotado recentemente pelo Governo grego para conseguir reduzir o déficit público este ano é suficiente.
“Agora a Grécia vai pelo bom caminho. O Parlamento grego já aprovou o decreto governamental e as medidas para reduzir o déficit público em 4% já estão sendo aplicadas”, explicou o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn.
O ministro das Finanças grego, Yorgos Papaconstantinos, por sua vez, mostrou confiança em uma queda dos custos de financiamento associada à melhora da credibilidade da economia após a adoção das medidas adicionais de ajuste.
Rehn opinou que as novas reformas se baseiam “em uma avaliação mais realista do crescimento econômico” e minimizou a importância das últimas previsões do Banco Central Europeu, que indicam uma contração econômica para a Grécia de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para neste ano.
Apesar do apoio, Rehn lembrou que a Comissão Europeia continuará “vigiando” a situação na Grécia. O país apresentará em maio um novo relatório sobre a evolução das medidas econômicas a médio prazo no qual deve abordar reformas estruturais como a do sistema previdenciário.
De acordo com o comissário finlandês, as medidas devem bastar para endireitar a situação das finanças públicas gregas e convencer os mercados sobre a resolução.
Ontem à noite, o Eurogrupo avançou no “esclarecimento das modalidades técnicas de uma assistência coordenada à Grécia, em caso de necessidade, o que não é o caso do dia de hoje”, lembrou Rehn.
Os ministros deixaram claro que “o objetivo da ação coordenada não seria fornecer financiamento à Grécia a taxas de juros média da zona do euro, mas salvaguardar a estabilidade financeira da zona do euro em seu conjunto”.
Eles também explicaram que o mecanismo não consistirá em avais dos Estados-membros à dívida grega, que todos os países do euro participarão dele e que, no caso de o mecanismo ser colocado em andamento, respeitará os tratados nacionais e da UE.
O instrumento, no entanto, tem antecedentes. Na cúpula do dia 11 de fevereiro, os membros europeus prometeram atuar de maneira “decidida e coordenada” para assegurar a estabilidade da zona do euro, se fosse o caso.
Além disso, exigiram que o Governo de Yorgos Papandréu tomasse todas as medidas necessárias para reduzir o déficit público de 12,7% do PIB atual para menos de 3% em 2012.
No resto do ano, a Grécia precisa obter financiamentos no valor de 55 bilhões de euros para fazer frente à dívida. Cerca de 20 bilhões de euros vencem entre abril e maio.
Embora o país não tenha tido problemas em conseguir títulos no valor de 5 bilhões a cinco anos em sua última emissão de dívida, as autoridades gregas pagaram cerca de 725 milhões de euros em juros para fazer frente ao bônus recebido pelo Governo alemão.
O ministro das Finanças grego, Giorgos Papaconstantinos, disse hoje em Bruxelas que pagar os vencimentos de dívida com os juros atuais seria uma dificuldade a mais para seu país.
Ele apontou que espera uma diminuição dos custos de financiamento associados à melhora da credibilidade da economia grega, após a adoção do pacote de medidas adicionais.