A Geórgia assinou hoje um cessar-fogo unilateral na Ossétia do Sul por iniciativa da União Européia (UE), page ao qual a Rússia respondeu com uma operação militar “preventiva” em território georgiano fora das zonas de conflito.
O presidente da Geórgia, more about Mikhail Saakashvili, page assinou o acordo de cessar-fogo na presença dos ministros de Assuntos Exteriores da França, Bernard Kouchner, e da Finlândia, Alexander Stubb, mediadores europeus que hoje visitaram a zona do conflito e que amanhã levarão o documento a Moscou.
Kouchner, cujo país exerce a Presidência semestral da UE, apresentou a Saakashvili o plano de cessar-fogo na Ossétia do Sul, palco de confrontos pelo quarto dia consecutivo, e disse que o presidente georgiano está “decidido a conseguir a paz”.
O chanceler francês explicou que o objetivo de sua visita à região do conflito era “propor uma trégua” em forma de cessação imediata e incondicional das hostilidades, compromisso assinado de não voltar a usar a força e a retirada das tropas.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, viaja amanhã a Moscou para conversar sobre a situação com o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e depois seguirá para Tbilisi.
Medvedev afirmou hoje que tinha concluído “grande parte” da operação militar para “impor a paz” na Geórgia, onde a Rússia entrou com seu Exército para defender os separatistas ossetas, a cuja maioria tinha oferecido a cidadania russa.
“Tskhinvali (a capital da Ossétia do Sul) está sob controle do reforçado contingente de paz russo”, declarou o chefe do Kremlin.
O Estado-Maior do Exército russo disse que suas tropas efetuaram hoje operações de “desarmamento, captura e limpeza” dos últimos grupos armados georgianos em Tskhinvali.
O comando russo denunciou que, apesar das informações sobre o cessar-fogo, as tropas da Geórgia deram prosseguimento hoje a seus ataques esporádicos com artilharia e aviação contra a Ossétia do Sul.
Moscou disse que a Tbilisi repatriou 800 soldados que serviam no Iraque em aviões americanos, fato pelo qual o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, acusou os Estados Unidos de “cinismo”.
A Geórgia informou que sua defesa aérea abateu 19 aviões russos nos quatro dias de conflito, enquanto a Rússia estimou em 1.600 os civis mortos na Ossétia do Sul, onde também houve 15 soldados russos mortos e 70 feridos.
Enquanto isso, a Rússia anunciou que suas tropas lançaram uma operação terrestre “preventiva” em uma região da Geórgia bem afastada da Ossétia do Sul, mas com o objetivo declarado de impedir novos ataques contra a região separatista.
O Ministério da Defesa da Rússia disse que a operação é realizada perto da cidade de Senaki, no oeste da Geórgia, por tropas russas da outra região separatista georgiana, a Abkházia, reforçadas com uma “força de choque” de nove mil soldados e 350 equipamentos militares.
Senaki, que tem uma base militar em seus arredores, fica a sudeste da Abkházia e é uma importante ligação de transportes que une o noroeste e o sudoeste da Geórgia a Tbilisi.
Segundo Moscou, o objetivo da operação é impedir o reagrupamento das tropas georgianas para novos ataques à Ossétia do Sul e a concentração de reservistas mobilizados por Tbilisi.
A Geórgia confirmou que carros blindados russos ocuparam Senaki, situada a 40 quilômetros da fronteira com a Abkházia, mas disseram que as tropas georgianas tinham recuado da região.
Antes, as tropas russas também tinham ocupado o distrito georgiano de Zugdidi, fronteiriço com a Abkházia e parte de cujo território era constituído da zona desmilitarizada controlada pelas “forças de paz”.
Generais russos afirmaram que o objetivo de sua força de choque na Abkházia é obrigar o Exército georgiano a abandonar o desfiladeiro de Kodori, única região da Abkházia sob controle georgiano, sob ameaça de uma ação militar direta.
Encorajado pelo apoio militar da Rússia, o presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, anunciou uma operação militar para impor seu controle sobre as localidades georgianas da região separatista, que ocupa aproximadamente um terço de seu território.
Além disso, os dirigentes das duas regiões separatistas georgianas anunciaram que pedirão que a comunidade internacional reconheça suas independências da Geórgia.
“Quanto sangue osseta deve ser derramado até que reconheçam nossas repúblicas? Isso foi um genocídio”, disse Kokoiti em uma conversa por telefone com o presidente da Abkházia, Sergei Bagapsh.
Bagapsh respondeu que, após o conflito, “ninguém pode ter a ilusão de que a Abkházia e a Ossétia do Sul possam conviver com a Geórgia em um só Estado”.
As duas repúblicas autoproclamadas, mas não reconhecidas pela comunidade internacional, romperam relações com a Geórgia no início dos anos 1990 após guerras civis, nas quais contaram com ajuda da Rússia.