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Mundo

Três mortos, dezenas de desaparecidos e 40 feridos em naufrágio na Itália

Arquivo Geral

14/01/2012 18h33

O naufrágio do cruzeiro Costa Concordia nesta sexta-feira em frente à costa da Toscana, próximo à ilha de Giglio, na Itália, que levava 4.229 passageiros a bordo, por enquanto está com um saldo de três mortos, 40 feridos e entre 60 e 70 pessoas desaparecidas.

Além disso, o comandante do navio foi detido e interrogado. As três vítimas fatais são dois turistas franceses e um peruano tripulante da embarcação. Seus corpos foram recuperados no mar pelas equipes de mergulhadores, que ainda continuam trabalhando no interior do navio, de 114.500 toneladas e quase 300 metros de comprimento.

Entre os feridos, dois estão em estado grave, um com traumatismo craniano e outro com uma lesão na espinha dorsal. O capitão do cruzeiro, Francesco Schettino, foi detido e ouvido durante horas pelo procurador chefe de Grosseto (onde fica a ilha de Giglio), Francesco Verusio.

Outro membro da tripulação, que não teve a identidade revelada, também está sendo interrogado, segundo a imprensa local.

No navio viajavam 53 brasileiros, 569 alemães, 462 franceses, 177 espanhóis, um andorrano, 54 latino-americanos (da Argentina, Peru, Venezuela, Chile, Cuba, México, Equador, Colômbia, República Dominicana e Uruguai) e quase mil italianos.

O acidente ocorreu às 21h40 (horário local) desta sexta-feira, quando o barco se dirigia do porto de Civitavecchia, a 70 quilômetros ao norte de Roma, para Savona, também na Itália. O navio realizava um cruzeiro pelo Mediterrâneo que tinha escalas em Barcelona e Palma de Mallorca, na Espanha, Palermo e Cagliari, na Itália, e Marselha, na França.

Até o momento as causas do naufrágio não foram esclarecidas. Uma das suspeitas é de que o capitão seguia por uma rota errada, pois segundo o traçado original o navio não deveria passar pelo ponto onde se chocou contra as rochas em ambos os lados da embarcação.

O cruzeiro está inclinado a 80 graus e encalhado num banco de areia de 30 metros de profundidade.

Segundo contaram os sobreviventes da tragédia, o acidente ocorreu quando a maioria dos passageiros estava jantando. Logo após um forte impacto, as luzes apagaram. O comandante do navio pediu calma e disse que se tratava de um problema elétrico.

“Foi um pesadelo, parecia o Titanic, pensávamos que morreríamos”, afirmaram os italianos Silvana Caddeo, Ignazio Deidda e Mirella Corda. Os três contaram também que no momento do acidente garrafas e copos caíram das mesas, e em seguida as sirenes de emergência dispararam.

“As pessoas gritavam e as crianças choravam em meio a uma escuridão total”, acrescentaram. Segundo os italianos, rapidamente eles perceberam que a situação era grave, pois o navio começou a inclinar e várias pessoas se jogaram nas águas frias do mar Tirreno.

Vários turistas espanhóis e latino-americanos, que estão num hotel em Roma à espera de serem levados para casa, denunciaram à Agência Efe que o cruzeiro se tornou um caos e que os responsáveis pela embarcação não sabiam como se comportar.

“A tripulação não tinha nem ideia de como evacuar o navio e o capitão mentiu. Disse até o último minuto que tudo estava sob controle e que aquilo não passava de uma pane elétrica”, reclamou a chilena Claudia Fehlandt.

Alguns passageiros denunciaram que o resgate demorou muito para chegar, e os primeiros passageiros só foram deixar o navio após uma hora e meia. Segundo eles, o comandante sabia o que estava acontecendo e “não fez o que devia”.

Os passageiros chegaram em botes salva-vidas à ilha de Giglio e foram alojados em casas, centros esportivos e na igreja local. A maior parte deles foi transferida para hotéis em Roma e Savona, onde esperam para voltar para seus países.

O Ministério italiano de Transportes e a Promotoria de Grosseto abriram uma investigação para apurar o caso.

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