Vários pessoas ficaram feridas hoje após enfrentamentos entre a Polícia e trabalhadores da tabacaria Tekel, que protestam contra reduções salariais e reduções da jornada de trabalho em Ancara.
Segundo informações das redes de televisão turcas, a Polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar os milhares de trabalhadores do Monopólio do Tabaco e do Álcool (Tekel) que estavam concentrados em diversos lugares do centro da capital Turca.
Ainda não foi possível precisar o número de manifestantes feridos.
“A Polícia usou gás lacrimogêneo, jatos de pressão de água e cassetetes para dispersar os trabalhadores que responderam com pedras. Entre seis e sete pessoas ficaram feridas, afetadas pelo gás lacrimogêneo lançado diretamente sobre seus olhos”, disse um dos manifestantes que participa do protesto à Agência Efe por telefone.
Ainda na madrugada de hoje, as forças de segurança bloquearam as estradas que dão acesso a Ancara para tentar impedir a chegada dos manifestantes que vieram de ônibus de diversas províncias do país.
Mas os trabalhadores burlaram os controles ao se dirigir a pé para a cidade e depois tentaram se concentrar em frente à sede da federação de sindicatos Turk-IS.
A eles somaram-se grupos de estudantes e membros de diversos sindicatos e associações, assim como de partidos de esquerda, que apóiam as suas reivindicações.
Alguns deputados da oposição, que estavam em um grupo de manifestantes que tinha bloqueado o tráfego de uma das principais ruas da cidade, também foram atingido pelo gás lacrimogêneo.
Os protestos se dirigem contra o Governo pelas medidas adotadas para reduzir os salários e a jornada depois da privatização da Tekel.
Em janeiro mais de 25 mil pessoas – trabalhadores e suas famílias – em 600 ônibus foram a Ancara e acamparam em barracas durante dois meses e meio. Agora, 29 dias depois, milhares deles voltam à capital para uma ação de 24 horas.
Os trabalhadores pretendiam se reunir em frente à federação dos sindicatos, mas a Polícia não permitiu e fez com que os protestos ficassem distribuídos pela cidade.
O líder dos trabalhadores da Tekel, Mustafa Turkel, afirmou que o protesto de hoje é uma ação de um só dia e que ninguém pode impedir que os manifestantes cheguem à sede da Turk-IS.
“A tensão aumenta. Está acontecendo algo único na história do mundo. Trabalhadores são proibidos de ir a sua federação, mas está claro o que faremos: iremos lá”, disse Turkel.