O Irã fracassou nesta quarta-feira em sua tentativa de fazer parte do conselho de administração da nova agência ONU Mulheres, que será dirigida pela chilena Michelle Bachelet, após perder uma votação menos apertada que o esperado no Conselho Econômico e Social (ECOSOC) do organismo mundial.
O país foi o último do bloco regional asiático a ser votado, em uma seleção de 41 integrantes para a agência das Nações Unidas dedicada à mulher, para alívio dos países ocidentais e das organizações de direitos humanos, que viam em sua candidatura um problema para a nova entidade.
Teerã teve o respaldo de 19 dos 54 países que fazem parte do ECOSOC, longe dos 36 obtidos por Timor-Leste, que ficou com a última das 10 vagas disponíveis para os países asiáticos.
Foram escolhidas as candidaturas de Espanha, Argentina, México e Peru, entre outros países.
Apesar das polêmicas, Arábia Saudita e Líbia também foram selecionadas por falta de concorrência em seus respectivos grupos.
O embaixador espanhol na ONU, Juan Antonio Yáñez-Barnuevo, considerou em comunicado que a escolha da Espanha é um “reconhecimento internacional ao forte compromisso com as políticas de gênero que o país europeu veio sustentando nos últimos anos”.
“ONU Mulheres dará maior coerência, visibilidade e eficácia aos trabalhos do sistema das Nações Unidas a favor da promoção da igualdade de gênero no mundo todo”, acrescentou.
A derrota do Irã foi recebida com alívio pelos países ocidentais e organizações de direitos humanos, já que o país estava garantido até terça-feira porque em seu grupo regional o mesmo número de candidaturas e o de vagas disponíveis era o mesmo.
No entanto, a entrada no último momento do Timor-Leste obrigou a realização de uma eleição no grupo asiático.
A vencedora do prêmio Nobel da Paz 2003, a iraniana Shirin Ebadi, qualificou de “brincadeira” a possibilidade de seu país e Arábia Saudita fazerem parte da ONU Mulheres, durante uma entrevista concedida na terça-feira, na sede das Nações Unidas.