Shimon Peres se transformará hoje no nono presidente do Estado de Israel, story quando, aos 84 anos, assumir no Parlamento israelense um cargo desprestigiado por seu antecessor, Moshé Katsav, condenado por crimes sexuais.
O veterano político, natural da Polônia, chega à chefia de Estado depois de Katsav renunciar no mês passado após assinar um acordo fora dos tribunais no qual se declarava culpado de vários crimes de assédio sexual, mas não de violação, como tinha sido inicialmente acusado, o que o livrou da prisão.
Peres, que prestará juramento por volta das 18h30 (12h30 de Brasília), “influirá e dará valor a outros líderes para avançar em direção à paz” no Oriente Médio, segundo os votos enviados a ele ontem pelo Papa Bento XVI em uma carta.
O ainda presidente eleito chegará ao Parlamento, ou Knesset, acompanhado de seis ciclomotores e seis cavalos antes de passar revista a uma formação honorífica de 72 representantes do Exército e da guarda da única câmara de representantes do Estado judeu.
Posteriormente, depositará uma coroa de flores no monumento aos soldados israelenses mortos em combate, situado na entrada do Parlamento, em Jerusalém Ocidental. Na cerimônia de posse, Peres jurará lealdade e assinará a declaração antes que soe o shofar, o instrumento bíblico de sopro usado para indicar o final da festividade de Yom Kippur, ou Dia do Perdão, considerado o mais solene do calendário judeu.
Depois, a porta-voz do Parlamento, Dalia Itzik, dirá: “Longa vida ao presidente do Estado de Israel”, e os deputados e presentes responderão três vezes “Longa vida”. No dia 13 de junho, em sua escolha pelo Parlamento como presidente, Peres prometeu ser o “representante de todos os israelenses sem distinção de origem, credo ou filiação política”, com o objetivo de “unir a sociedade”.
O três vezes primeiro-ministro israelense (duas por substituição e uma, em 1984, por alternância em um Governo de união nacional com o conservador Likud) obteve o apoio de 86 deputados, enquanto 23 votaram contra, oito se abstiveram e dois votos foram declarados nulos.
Peres rompia assim o malefício de nunca ter vencido uma eleição – perdeu quatro das cinco que participou como líder trabalhista entre 1977 e 1996 e empatou outra -, apesar de ter assumido o Governo e ostentado diversas pastas, entre elas Exteriores e Finanças.