O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou hoje (15) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode contribuir na busca pela paz no Oriente Médio, apesar de o processo estar parado desde 2008. Segundo ele, a mensagem de Lula será “bem-vinda”. Ao lado de Peres, o presidente brasileiro disse que um acordo na região é “uma tarefa difícil” e que é necessário que se “ouça mais gente” na nos esforços pela paz.
“Sei que o senhor traz uma mensagem de paz. Sua contribuição será bem-vinda”, disse o presidente israelense. “Se fosse tarefa fácil, já teriam conquistado a paz. Por ser difícil, é importante que se ouça mais gente”, afirmou Lula, segundo a BBC Brasil.
O diálogo ocorreu na primeira visita oficial do presidente brasileiro a Israel. Lula quer que o Brasil atue como mediador em uma eventual retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos.
Porém, autoridades israelenses analisam com restrições a aproximação do governo Lula com o do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano nega que houve o Holocausto e reitera críticas a Israel, inclusive sugerindo sua exclusão do mapa.
De Israel, Lula visita a Palestina e encerra sua viagem ao Oriente Médio na Jordânia, na quarta-feira (17).
Na semana passada, os esforços do governo dos Estados Unidos como mediador do processo de paz fracassaram. A crise atual entre israelenses e palestinos foi detonada durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, à Israel na semana passada.
Biden planejava lançar um novo processo de negociações indiretas entre os dois lados, quando o Ministério da Defesa israelense aprovou a construção de 112 residências no assentamento de Beitar Ilit, em território ocupado na Cisjordânia.
O anúncio foi visto como uma ameaça à retomada das negociações, a situação se agravou no dia seguinte, quando o Ministério do Interior, controlado pelo Shas, partido ultraortodoxo e a favor da ampliação dos assentamentos, divulgou a aprovação da construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, abandonou as negociações, enquanto o governo de Israel decretou o fechamento temporário do acesso à Cisjordânia e reforçou o policiamento em toda a área de Jerusalém.
O processo de paz já estava congelado desde dezembro de 2008, quando o presidente palestino suspendeu o diálogo com o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert. Na época, Israel tinha iniciado uma nova ofensiva militar na Faixa de Gaza.
Para o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, Ahamadinejad pode colaborar como mediador na questão palestina. “Achamos que, se o Irã ficar isolado, vai ser pior. Nós já temos outras experiências muito infrutíferas de tentativa de isolamento e bloqueio. A única coisa que isso pode trazer é consolidar uma posição ainda mais dura dos iranianos”, disse ele.