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Mundo

‘Sempre houve insultos de ambos os lados’, diz porta-voz de Milei sobre crise com Lula

Porta-voz do ultraliberal minimizou a crise como uma “questão ideológica”

Redação Jornal de Brasília

28/07/2026 14h58

milei

Foto: Patrick T. Fallon/AFP/Getty Images

DANIELA ARCANJO
FOLHAPRESS

O porta-voz da Casa Rosada afirmou nesta terça-feira (28) que “sempre houve insultos de ambos os lados” ao comentar a crise entre Argentina e Brasil após o presidente Javier Milei chamar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ladrão durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo.

“Se tomarmos o caso do Brasil, é evidente que sempre houve insultos de ambos os lados. Penso que se tratam de diferenças ideológicas e políticas, mas a Argentina nunca levou essas diferenças para o âmbito diplomático”, afirmou Adrian Ravier, porta-voz do ultraliberal.

A afirmação parece ser uma alfinetada às medidas do governo brasileiro após o evento de Flávio, no último sábado (25).

Estrela da cerimônia, Milei fez um discurso no qual se referiu a Lula como ladrão e presidiário, além de ter chamado o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca” por não tê-lo deixado visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília.

O governo respondeu convocando o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. O porta-voz minimizou a crise como uma “questão ideológica”.

“Milei é um dos principais líderes do movimento que busca promover ideias pró-mercado. Os Bolsonaros, no Brasil, são amigos e aliados nessa ideia. Lula se opõe a essa ideia, e creio que as diferenças são claras e fazem parte de uma questão ideológica e política, mas não acreditamos que isso impactará as relações diplomáticas entre os dois países, ou pelo menos não do lado argentino”, afirmou Ravier.

A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a suposta participação financeira de Brasil, México e o Partido Democrata, dos Estados Unidos, na onda anti-Argentina que tomou conta das redes sociais na Copa do Mundo. A acusação foi feita sem provas por Milei no domingo (26), em entrevista a uma rádio local.

“Vocês sabem quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina? O governo brasileiro”, afirmou o ultraliberal na ocasião, sem apresentar qualquer evidência. “Vinte e cinco por cento dos recursos vieram do governo brasileiro. E depois eles vêm falar em interferência.”

A declaração parece fazer parte de uma estratégia do governo de tentar responsabilizar a oposição e críticos em geral pelo fenômeno —tese que o porta-voz repetiu nesta terça, embora o próprio Milei seja uma das causas da impopularidade internacional do país.

“Existe uma hipótese de que a esquerda esteja, de alguma forma, fomentando essa campanha anti-Argentina para minar a ideia de que o modelo argentino consegue tirar as pessoas da pobreza, da miséria, reduzir a inflação, gerar produção e exportações recordes, e assim por diante”, afirmou o porta-voz, sem dar uma fonte das acusações do presidente, como havia solicitado o jornalista.

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