Menu
Mundo

Sem tropas dos EUA, Exército iraquiano enfrenta desafio de garantir segurança

Arquivo Geral

30/08/2010 14h11

O Exército iraquiano enfrenta a partir do dia 1º o desafio de garantir a segurança no país após a redução do contingente americano no país e em meio às dúvidas sobre sua capacidade para combater a insurgência.

No último dia 11, três semanas antes do final do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para diminuir o número de militares americanos para 50 mil, o chefe do Estado-Maior iraquiano, general Babakar Zebari, reconheceu que suas forças não estavam totalmente preparadas.

Zebari advertiu que o Exército iraquiano não estará consolidado antes de 2020, anos depois da data prevista para a retirada total dos militares dos EUA do Iraque (final de 2011), segundo o pacto de segurança assinado entre os dois países em 2008.

O ex-general do Exército iraquiano Ahmed al Jabouri se mostra pessimista quanto à próxima etapa porque acha que os sunitas percebem um ânimo de vingança por parte das forças de segurança depois do fracasso do atual Governo, dominado pelos xiitas, em conseguir a reconciliação nacional.

“A retirada (parcial) das tropas (dos EUA) do Iraque implicará em muitas surpresas em meio a estas políticas frágeis e de uma segurança instável”, disse Jabouri à Agência Efe.

Para Jabouri, “o erro grave do Governo (do ex-presidente dos Estados Unidos George W.) Bush foi desmontar o Exército anterior em 2003 e reconstruí-lo de uma forma equivocada e não estudada”.

Segundo o ex-general, como para outros muitos iraquianos, esta situação poderia representar também uma oportunidade de reorganização e fortalecimento para grupos terroristas como a Al Qaeda.

A opinião ganha força com cada atentado do grupo, como o cometido em 17 de agosto contra um centro de recrutamento de Bagdá no qual 48 pessoas morreram e 127 ficaram feridas.

Na mesma linha de Jabouri, um soldado iraquiano, que pediu o anonimato e está destacado na província de Salah ad-Din, ao norte de Bagdá, disse acreditar que o potencial do Exército é mínimo e as tarefas, muito grandes.

Em declarações à Efe, o militar deu como exemplo o seu regimento, cujos 700 soldados devem vigiar uma área de 60 quilômetros quadrados na qual são responsáveis por zelar pela segurança de oleodutos, ruas e pontes, além de proteger as vidas de civis.

Para isso, o militar assegurou que mal dispõem de armas pesadas e as poucas que têm contam com pouca munição. Além disso, seu batalhão não tem mais de cinco projéteis de artilharia e dez fuzis BKC para todos os soldados, cada um deles com uma metralhadora com quatro carregadores com trinta balas.

Dos 25 veículos 4×4 do tipo Hummer, sete estão danificados, reclamou o militar.

Por outro lado, os membros de minorias como a curda veem um possível aumento dos problemas étnicos após a redução de tropas americanas.

O dirigente da Aliança do Curdistão Mahmoud Ozman apontou à Efe que após a retirada total americana em 2011 “não haverá nenhuma garantia, nem proteção para os curdos. Além disso, aumentarão os problemas étnicos entre iraquianos”.

Para Ozman, os americanos não armaram, nem treinaram adequadamente as forças iraquianas.

No entanto, o porta-voz do Exército americano, general Steve Lanza, afirma que os soldados e policiais do Iraque “são totalmente capazes” de garantir a segurança.

“O Iraque constrói a cada dia de forma rápida suas capacidades convencionais de defesa contra ameaças externas. Mesmo assim, resta muito trabalho antes de terminar a tarefa atual das forças americanas em dezembro de 2011”, declarou.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado