Menu
Mundo

Rússia e Coreia do Norte assinam acordo de defesa e Kim expressa apoio à guerra contra a Ucrânia

Putin reiterou que “Rússia e Coreia têm uma política externa independente e não aceitam a linguagem da canção por parte do Ocidente”

Redação Jornal de Brasília

19/06/2024 14h26

Foto: Gavriil GRIGOROV / POOL / AFP

A Coreia do Norte e a Rússia concordaram, nesta quarta-feira (19), um acordo de defesa mútua, durante uma visita a Pyongyang de Vladimir Putin, que agradeceu ao líder do país secreto comunista asiático, Kim Jong Un, por apoiar uma intervenção militar Russa contra a Ucrânia.

O dirigente norte-coreano recebeu Putin na pista do aeroporto durante a madrugada, com direito a tapete vermelho e ruas de Pyongyang decoradas com as bandeiras dos dois países, além de fotos gigantes de Putin.

“O tratado de associação global assinado hoje prevê, entre outras coisas, uma assistência mútua em caso de agressão a uma parte”, declarou Putin, antes de explicar que a Rússia “não descartou” uma cooperação militar-técnica com a Coreia do Norte.

“Hoje, lutamos juntos contra as práticas hegemônicas e neocolonialistas dos Estados Unidos e de seus satélites”, afirmou o presidente russo, citado pela imprensa de Moscou, durante uma festa de gala em sua homenagem.

Segundo o líder norte-coreano, o tratado “garantirá de forma confiável a aliança” entre os dois países e contribuirá “plenamente para a manutenção da paz e da estabilidade na região”.

As potências ocidentais, que acusam a Coreia do Norte há vários meses de fornecer munições e mísseis à Rússia para a guerra na Ucrânia, têm um reforço da cooperação militar entre Moscou e Pyongyang.

O assessor da presidência ucraniana, Mikhailo Podoliak, acusou Pyongyang de ajudar militarmente a Rússia e tomou medidas mais fortes para isolar os dois países.

“A Coreia do Norte coopera hoje com a Rússia na esfera militar e fornece-lhe puramente recursos para o assassinato em massa de ucranianos”, criticou.

“Pleno apoio” da Coreia do Norte

Durante a visita, Putin reiterou que “Rússia e Coreia têm uma política externa independente e não aceitam a linguagem da canção por parte do Ocidente” e Kim celebrou uma “nova era” das relações bilaterais.

“A Coreia do Norte expressa pleno apoio e solidariedade ao governo” na sua ofensiva na Ucrânia, que motivou uma série de sanções contra Moscou, afirmou o dirigente norte-coreano.

Kim Jong Un destacou que o acordo de assistência mútua é de natureza “defensiva”, segundo as agências de notícias russas, e chamou Putin de “melhor amigo” da Coreia do Norte.

O presidente russo agradeceu a Kim pelo apoio “constante e inabalável” da Coreia do Norte, o convidado para visitar Moscou e afirmou que as avaliações contra Pyongyang deveriam ser “revistas”.

Moscou e Pyongyang são aliados desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953) e reforçaram as relações desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Putin foi recebido com grande pompa na praça Kim Il Sung de Pyongyang, com banda militar e um espetáculo de dança, algo habitual nas cerimônias da Coreia do Norte.

Depois, os chefes de Estado iniciaram uma reunião, o segundo encontro de ambos em menos de um ano. Kim visitou a Rússia em setembro. A visita anterior de Putin ao país isolado comunista aconteceu no ano 2000.

“A Rússia precisa do apoio da Coreia do Norte em termos de armamentos devido à prolongada guerra na Ucrânia, enquanto a Coreia do Norte precisa do apoio da Rússia em alimentos, energia e armas de ponta para aliviar a pressão das avaliações”, disse à AFP Koh Yu-hwan, professor emérito de estudos norte-coreanos na Universidade de Dongguk, em Seul.

EUA expressa “preocupação”

Pyongyang chamou a atenção para acusações de que fornece armas para a Rússia de “absurdas”.

A Rússia obteve em março o direito de veto no Conselho de Segurança da ONU para acabar com o sistema que monitorava as avaliações impostas à Coreia do Norte, instauradas sobretudo para vigiar o programa nuclear de Pyongyang.

O governo dos Estados Unidos expressou “preocupação” com a viagem de Putin devido às consequências para a segurança da Coreia do Sul e da Ucrânia. Seul afirmou que acompanhou “de perto os preparativos” da visita.

Putin passou com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, e com o ministro da Defesa, Andrei Belousov.

O presidente da Rússia, alvo de um mandato de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), prejudicado nas viagens ao exterior, mas visitou alguns aliados cruciais, como a China.

O apoio de Putin permite a Kim “equilibrar a sua dependência” do seu outro aliado importante, a China, explicou à AFP Vladimir Tikhonov, professor da Universidade de Oslo. Em troca, “ele obteve uma segurança suficiente dos projetos de artilharia de tipo soviético do que precisa”.

© Agência France-Presse

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado