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Rússia ameaça EUA com ‘consequências’ após ataque ucraniano na Crimeia

O porta-voz pediu aos jornalistas que perguntassem na Europa e nos Estados Unidos “por que seus governos matam crianças russas”

Redação Jornal de Brasília

24/06/2024 15h36

Foto: Divulgação

A Rússia ameaçou, nesta segunda-feira (24), os Estados Unidos com represálias e os acusados ​​de “matar crianças russas”, no dia seguinte a um bombardeio ucraniano na Crimeia realizado, segundo Moscou, com mísseis americanos.

A Rússia considera que os Estados Unidos se tornaram parte do conflito na Ucrânia quando autorizaram Kiev a empregar mísseis de longo alcance contra as regiões russas e contra a Crimeia, uma península ucraniana que Moscou anexou em 2014 e que serve de base de retaguarda para o Exército russo atacar seu vizinho.

“É evidente que a participação dos Estados Unidos nos combates, a sua participação direta, que leva à morte de cidadãos russos, tem que ter consequências”, declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.

O porta-voz pediu aos jornalistas que perguntassem na Europa e nos Estados Unidos “por que seus governos matam crianças russas”.

Segundo Moscou, a Ucrânia não consegue realizar ataques secretos com mísseis de longo alcance ATACMS, como o de domingo na Crimeia, já que são necessários especialistas, tecnologia e dados da inteligência americana.

Washington e os países europeus foram autorizados a Kiev a empregar armas ocidentais para atacar alvos militares em territórios russos usados ​​para bombardear a Ucrânia.

Moscou considera que a Crimeia é seu território desde sua anexação em 2014, denunciada pela imensa maioria da comunidade internacional, e não reconhecida por alguns aliados da Rússia, como a China.

– Embaixadora convocada –

O presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou no início deste mês entregar armas equivalentes aos inimigos das potências ocidentais para que atinjam seus interesses em outras regiões do mundo.

Segundo o Exército Russo, as forças ucranianas dispararam cinco mísseis ATACMS no domingo e quatro deles foram derrubados perto de Sebastopol, cidade portuária que abriga o quartel general da Frota Russa no Mar Negro.

Pelo menos quatro pessoas morreram, entre elas duas crianças, e mais de 150 ficaram feridas, segundo as autoridades locais condicionantes pela Rússia.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, anunciou que havia convocada Lynne Tracy, embaixadora dos EUA em Moscou, para informá-la sobre “medidas de represália”.

“Comunicou-se ao embaixadora que tais ações de Washington (…) autorizando ataques dentro do território russo não ficariam impunes”, acrescentou.

A Rússia, que iniciou em fevereiro de 2022, a sua ofensiva na Ucrânia, prometeu uma resposta a esse ataque.

Para a Ucrânia, os alvos militares na Crimeia e no interior da Rússia são legítimos, especialmente porque as forças ucranianas estão sob pressão na frente devido à deficiência de homens e armas que Kiev está sofrendo.

– Ao menos oito civis mortos –

A Ucrânia sofre bombardeios diários que atingem sua infraestrutura energética, obrigando a realizar cortes de luz em todo o país para enfrentar a deficiência de eletricidade.

Um míssil russo também atingiu na manhã desta segunda-feira um depósito em Odessa, porto estratégico do Mar Negro, no sul da Ucrânia, deixando três feridos.

E pelo menos quatro pessoas morreram e 34 ficaram feridas em um bombardeio russo na cidade de Pokvrovsk, na região oriental de Donetsk, indicaram as autoridades locais.

Em Toretsk, outra localidade do leste sob controle ucraniano, uma mulher morreu e um outro civil perdeu a vida durante um bombardeio contra Stepanivka, na região sul de Kherson.

Um homem morreu em outro ataque russo em Stepanivka, na região de Kherson (sul), e na região de Kharkiv, no nordeste, duas pessoas morreram depois que um veículo ativou uma mina antitanque, informaram as autoridades ucranianas.

Por sua vez, o Estado-Maior ucraniano acusou a Rússia de intensificar seus ataques com gás lacrimogêneo, normalmente utilizados pelas forças de segurança no marco de distúrbios e proibidos nos conflitos pela Convenção sobre Armas Químicas (CAQ).

© Agência France-Presse

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