Menu
Mundo

Ruanda ameaça a ONU de retirar tropas de missões de paz internacionais

Arquivo Geral

29/08/2010 18h14

 

A Ruanda ameaçou a ONU de retirar suas tropas das missões de paz internacionais se as Nações Unidas seguirem adiante com a publicação de um relatório que documenta as atrocidades cometidas pelo Exército ruandês na República Democrática do Congo (RDC) nos anos 90.

 

“A publicação ou vazamento do relatório fará com que nos retiremos dos diferentes compromissos que Ruanda mantém com as Nações Unidas, especialmente na área das missões de paz”, afirmou a ministra de Exteriores de Ruanda, Louise Mushikiwabo, em carta dirigida à ONU e publicada pela imprensa americana.

 

Atualmente, o país tem tropas em missões internacionais de paz na região sudanesa de Darfur, sul do Sudão, Libéria e Haiti.

 

A reação do Governo de Ruanda acontece dias depois do vazamento de um rascunho do relatório da ONU, ao qual a Agência Efe teve acesso, que afirma que o Exército ruandês poderia ser acusado de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade por atos cometidos durante sua intervenção em diferentes conflitos na RDC entre março de 1993 e junho de 2003.

 

Na carta da ministra dirigida ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Mushikiwabo admite a “extrema seriedade” das alegações contra o Governo do país, mas diz que “está claro que a metodologia e as fontes de informação não são sérias”.

 

“Achamos que é absurdo que a ONU, que deliberadamente deu as costas ao povo ruandês durante o genocídio de 1994, acuse ao Exército que deteve o genocídio de cometer atrocidades na RDC”, continua a carta.

 

Em 1994, entre 800 mil e um milhão de ruandeses, principalmente membros da etnia tutsi, mas também hutus moderados, foram assassinadas por milícias e soldados hutus.

 

A Frente Patriótica Ruandesa, do atual presidente Paul Kagame, deteve o genocídio em junho daquele ano e, posteriormente, iniciou uma campanha militar na RDC para perseguir extremistas hutus envolvidos no genocídio.

 

Mushikiwabo cita o relatório da ONU e diz que “acusar a Ruanda de um crime comparável ao genocídio dos hutus de 1994 sem ‘investigações profundas ou sem reunir provas que possam ser admitidas em um julgamento’ é inacreditavelmente irresponsável”.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado