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Romênia, um refúgio para ucranianos e um posto avançado da Otan no leste

E o presidente francês Emmanuel Macron anunciou em Bruxelas na sexta-feira que seu país iria acelerar o envio de cerca de 500 militares no âmbito da Otan

Redação Jornal de Brasília

26/02/2022 16h11

After the news of Russian military attack against Ukraine, these Ukrainian doctors try to return home from Hungary by hitchhiking at the Zahony border crossing on February 24, 2022. – “Unfortunately we have to count on a growing number of Ukrainian citizens arriving in Hungary and presumably applying for refugee status following today’s military attack,” Hungarian Prime Minister Viktor Orban said on February 24, 2022. (Photo by ATTILA KISBENEDEK / AFP)

“Meu marido nos acompanhou até a fronteira antes de retornar a Kiev para lutar”, explica uma jovem ucraniana ao chegar à Romênia, país que pertencia à órbita soviética e agora está na linha de frente diante de um possível avanço russo.

Desde que o presidente russo, Vladimir Putin, lançou a ofensiva contra a Ucrânia na quinta-feira, mais de 25 mil refugiados foram registrados pela polícia de fronteira.

Acompanhada de seus três filhos, Olga, que não deu seu sobrenome, atravessou o Danúbio para chegar ao pequeno porto de Isaccea. Esta profissional de marketing de 36 anos passará alguns dias lá antes de viajar para a Bulgária.

“Nunca vamos voltar para a Ucrânia”, afirma Andrey, um advogado de 40 anos. Já em 2014, ele havia fugido da região separatista de Donbass para se refugiar em Odessa, até ser forçado a abandonar sua casa mais uma vez, com sua esposa e três filhos, conta à AFP.

A Romênia, que compartilha uma fronteira de 650 km com a Ucrânia, é considerada por enquanto preservada por sua condição de membro da União Europeia e da Otan.

Mas há meses, diante das crescentes tensões com Moscou, este antigo satélite da União Soviética vem exigindo um reforço do flanco oriental da Aliança Atlântica.

Seus apelos foram ouvidos e os Estados Unidos enviaram em janeiro um blindado Stryker e mil soldados para uma base localizada perto do Mar Negro, além dos 900 já destacados na Romênia.

Em fevereiro, seis aviões Eurofighter Typhoon da Força Aérea alemã se juntaram a quatro aviões da Polícia Aérea italiana.

E o presidente francês Emmanuel Macron anunciou em Bruxelas na sexta-feira que seu país iria acelerar o envio de cerca de 500 militares no âmbito da Otan.

A situação se complicou ainda mais após a apreensão por Moscou da Ilha das Serpentes na quinta-feira, uma rocha no Mar Negro que fica a 45 km da costa romena. Desabitada, mas estrategicamente importante, ela foi objeto de uma disputa entre Bucareste e Kiev antes de ser atribuída à Ucrânia pelo Tribunal Internacional de Justiça de Haia em 2009.

“Teremos que nos acostumar a viver com os russos em nossas fronteiras (…), mas se tratam de fronteiras da Otan”, ressaltou o ministro romeno da Defesa, Vasile Dîncu.

Além disso, a presença de russos perto das águas territoriais romenas pode desencorajar as empresas que têm concessões e planejam explorar os depósitos de gás descobertos lá, apontam os especialistas.

“Os objetivos do Kremlin não se limitam à Ucrânia”, alertou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg. “Putin exigiu a retirada das forças da Aliança dos territórios de todos os países que aderiram desde 1997”, lembrou.

Suécia e Finlândia reiteram seu direito de aderir à Otan

A Finlândia e a Suécia reafirmaram neste sábado (26) seu direito de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se assim desejarem, apesar de novas advertências da Rússia em meio à invasão da Ucrânia.

Na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia alertou que uma adesão finlandesa ou sueca à Otan – que segundo os dois países nórdicos não está na agenda – “teria sérias repercussões militares e políticas”.

Uma declaração nesse sentido da porta-voz do ministério, Maria Zakharova, circulou amplamente nas redes sociais e foi interpretada como uma ameaça de ataque militar em caso de adesão.

“Já ouvimos isso no passado”, comentou o ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka Haavisto, na televisão pública Yle neste sábado.

Apesar da invasão russa da Ucrânia, tanto Helsinque quanto Estocolmo descartaram desde quinta-feira a ideia de um pedido expresso de adesão à aliança militar ocidental.

Mas desde o início da escalada da crise ucraniana, pediram garantias de que a porta permaneceria aberta. Os dois países não são oficialmente alinhados, embora sejam parceiros da Otan desde meados da década de 1990.

“Quero ser muito clara. É a Suécia que, sozinha e de forma independente, decide sua linha de segurança”, declarou a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, em coletiva de imprensa na sexta-feira.

Mesmo antes da invasão, a crise ucraniana havia reaberto o debate sobre a Otan na Suécia e na Finlândia, onde a esquerda é tradicionalmente muito contra e a direita mais a favor.

© Agence France-Presse

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