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Mundo

Relatório detalha tortura de suposto envolvido em massacre no México

Arquivo Geral

05/10/2010 15h42

Israel Arzate, um dos supostos envolvidos no massacre de 15 jovens em Villas de Salvárcar em janeiro, foi torturado pelas forças de segurança do México e obrigado a “confessar” o crime, segundo um relatório divulgado hoje.

O Escritório de Washington para a América Latina (WOLA, na sigla em inglês), um grupo humanitário que exige o fim da impunidade no México, detalha pela primeira vez a tortura contra Arzate, apontado como um dos responsáveis pelo massacre em uma festa no bairro Villas de Salvárcar, em 31 de janeiro.

Ao menos 16 pessoas morreram – a maioria estudantes – que supostamente eram membros de um grupo criminoso.

Arzate é acusado de posse de um veículo roubado e pelo seu suposto envolvimento no massacre de Ciudad Juárez, no estado de Chihuahua, e seu caso o leva um defensor público.

Israel Arzate vendia discos no Centro Comercial da cidade e, segundo o relatório, foi detido em 3 de fevereiro por agentes civis e militares e transferido para um quartel onde foi “torturado físico e psicologicamente”.

As autoridades buscavam outra pessoa, mas acabaram levando Arzate. Seus familiares o procuraram por todas as partes e só souberam da sua detenção quando o viram na televisão.

Pelo relatório, Arzate insiste em sua inocência e afirma que quando esteve “desaparecido” recebeu choques elétricos no peito e o abdômen e os interrogadores disseram a ele que sua esposa estava em um quarto contíguo e que seria estuprada.

As táticas, incluindo golpes e queimaduras, surtiram efeito: Arzate sucumbiu às pressões e admitiu participação nos homicídios como vigilante.

Antes de ser apresentado à imprensa, foi obrigado a tomar seis pílulas que o deixaram enjoado. Em 18 de março foi transferido, sem prévio aviso legal, de uma prisão em Chihuahua para um quartel militar e depois ao escritório da promotoria, onde outra vez foi torturado, indicou a análise.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do México recebeu uma solicitação para investigar o caso.

Arzate agora padece do transtorno de estresse pós-traumático, uma doença frequente em vítimas de eventos traumáticos ou abusos.

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