Menu
Mundo

Regime sírio recorre a Exército para sufocar protestos

Arquivo Geral

25/04/2011 15h21

O regime sírio recorreu nesta segunda-feira aos tanques do Exército para sufocar os protestos populares, em uma intervenção militar que causou mais de 20 mortes, segundo fontes da oposição.

 

A ação do Exército se focou nas cidades de Deraa, no sul do país, e Duma, nos arredores de Damasco, e incluiu disparos em prédios e grupos de manifestantes, segundo ativistas de direitos humanos.

 

Desde que começaram os protestos na Síria, em meados de março, foi a primeira vez que o regime de Bashar al-Assad utilizou os tanques do Exército para reprimir as manifestações. Anteriormente, os militares só se limitavam a trabalhos de vigilância.

 

“O regime sírio sempre recorreu ao Exército de acordo com a necessidade, e como a situação está se agravando, teve que intervir diretamente”, disse à Agência Efe por telefone o ativista de direitos humanos Ammar Qurabi.

 

A intervenção militar começou pouco antes do amanhecer. Os tanques, segundo Qurabi, fazem parte de uma operação militar para cercar Duma e Deraa, os principais focos de resistência contra o regime de Bashar al-Assad.

 

O ativista e ex-preso político sírio Yassin al-Hajj Saleh declarou à Efe em conversa telefônica que, segundo relatórios não confirmados, cerca de 20 pessoas morreram durante esta ofensiva na cidade de Deraa, perto da fronteira com a Jordânia.

 

Saleh também afirmou que 23 pessoas foram presas nesta segunda-feira em Duma e acrescentou que até o meio da tarde desta segunda-feira não havia recebido informações sobre a possibilidade de mais pessoas terem sido mortas na cidade.

 

De acordo com relatórios do portal de notícias da oposição “ShamNews”, a intervenção do Exército – que apoiava os trabalhos das forças de segurança – causou aproximadamente 25 mortes nesta segunda-feira.

 

No entanto, não foi possível checar estas informações, visto que os jornalistas têm rigorosas limitações de deslocamento pela Síria e as linhas telefônicas estão interrompidas em alguns lugares.

 

Embora o Exército já houvesse atuado em operações de ordem pública nos anos 1980 para sufocar protestos populares durante o regime de Hafez al-Assad, pai do atual governante, os militares nunca tinham intervindo diretamente no mandato de Bashar al-Assad.

 

O presidente assumiu o poder após a morte de seu pai em 2000 e a revolta que enfrenta agora é a mais intensa já registrada desde então.

 

“Bashar está desdobrando brigadas que só seguem suas ordens diretas”, afirmou Qurabi, que está em visita ao Cairo e vem informando sobre o que está ocorrendo na Síria.

 

Qurabi acrescentou que só em Duma o Exército implantou seis diferentes postos de controle do acesso à cidade, que ficou cercada pelas tropas militares e as forças de segurança.

 

Já o ativista de direitos humanos Haizam Maleh confirmou à Efe por telefone que os ataques começaram neste domingo à noite, mas acrescentou que não dispunha de informações precisas sobre presos e mortos.

 

Imagens de vídeo divulgadas pelo “ShamNews”, supostamente feitas nesta segunda-feira e cuja autenticidade não pôde ser confirmada, mostram tanques desdobrados nas ruas de Deraa efetuando disparos esporádicos em alvos desconhecidos.

 

“Somos o povo de Deraa”, diz o autor de uma das imagens.

 

Nas últimas semanas, tanto esta cidade como Duma foram palco de uma forte repressão aos protestos da oposição que causaram dezenas de mortes.

 

Em Damasco, no entanto, a calma ainda reina, como foi comprovado pela Efe em um percurso feito por diferentes bairros da cidade.

 

Nos arredores da capital, eram vistos alguns tanques em blitze do Exército para fiscalizar a entrada de pessoas em Damasco, mas a vigilância parecia rotineira.

 

Por outro lado, as autoridades jordanianas anunciaram que a Síria fechou nesta segunda-feira a fronteira com o país vizinho por conta dos distúrbios que estão sendo registrados em povoados sírios próximos à divisa.

 

O porta-voz do Governo jordaniano, Taher Odwah, disse à agência oficial “Petra” que o fechamento da fronteira “está relacionado com a situação interna na Síria, e espera-se que os postos sejam reabertos em breve”.

 

A informação, no entanto, foi desmentida pela agência oficial síria “Sana”, que, citando o diretor-geral de Alfândegas, Mustafa al Bikai, assegurou que todos os postos fronteiriços da Síria, incluindo o da Jordânia, funcionam normalmente.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado