O líder conservador espanhol Mariano Rajoy manifestou nesta terça-feira sua intenção em “regularizar definitivamente” o fim do grupo terrorista ETA, que anunciou em outubro a suspensão de sua “atividade armada”, e garantiu que sempre estará “do lado do Estado de Direito e da lei”.
Essa é a primeira vez que Rajoy fala do fim da violência da ETA, que matou mais de 800 pessoas em cinco décadas, no debate parlamentar para sua posse como próximo primeiro-ministro espanhol.
O anúncio da organização terrorista aconteceu em 20 de outubro, um mês antes das eleições gerais que deram a vitória ao conservador Partido Popular e permitiram, após 15 anos de ausência, que a esquerda independentista basca voltasse com força ao Congresso dos Deputados da Espanha, com sete legisladores.
Após declarar que em sua memória “sempre estarão as vítimas” da ETA, o líder conservador ressaltou que considerou o comunicado do grupo como uma “boa notícia”, já que muitas pessoas pediam a suspensão de suas atividades há muitos anos.
Rajoy voltou a destacar nesta terça-feira a importância desse anúncio, mas também advertiu que a ETA ainda existe e que “a tranquilidade total” dos espanhóis só ocorrerá quando “o grupo terrorista deixar de existir”.
“Espero que possamos regularizar definitivamente esse assunto, contarei com vocês para concretizar essas ideias lógicas, sensatas e morais”, concluiu, em resposta aos nacionalistas bascos do PNV, que pediram a Rajoy que “aproveite essa oportunidade única” para consolidar a paz.
Já os independentistas bascos, que voltam a uma Câmara da qual estiveram ausentes após suas sucessivas campanhas eleitorais serem consideradas ilegais por sua ligação com a ETA, afirmaram a Rajoy que estão “condenados” a se entenderem.