O ministro venezuelano de Petróleo, Rafael Ramírez, declarou nesta terça-feira em Viena que os países que fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no Golfo Pérsico, incluindo a Arábia Saudita, deverão reduzir sua produção e normalizar a relação entre oferta e procura.
“Na medida em que existe uma recuperação da produção na Líbia, os países que colocaram barris adicionais no mercado terão que diminuir sua produção”, disse Ramírez. Nesta quarta-feira, o ministro venezuelano também participará da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Perguntado se essa medida de redução iria incluir Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar, países que na conferência anterior, realizada em junho, tomaram distância do resto do grupo. “Sim definitivamente”, respondeu Ramírez, que lembrou que esses países aumentaram a produção para compensar o corte na Líbia.
Nesta ocasião, a reunião terminou sem nenhum acordo firmado e sem nenhuma declaração conjunta, algo incomum na Opep. “Agora será preciso ajustar o que está desajustado. Não estamos desajustados por uma posição da Venezuela”, insistiu Ramírez.
O ministro venezuelano afirma estar “muito preocupado” com a situação econômica e “com as estimativas de crescimento para o ano que vem, em particular na zona do euro”.
“É certo que precisamos ver como está o balanço do mercado. Isso é o que nós vamos discutir nesta conferência”, ressaltou Ramírez. Segundo o ministro, a Venezuela estima que há um excesso de oferta no mercado.
Perguntado sobre o papel do preço do petróleo, que fechará com uma média anual recorde, Ramirez respondeu que “a deterioração da economia não tem nada a ver com o preço do petróleo”.
“Esta não é uma crise da Opep, é uma crise do setor financeiro especulativo, do setor bancário europeu e da dívida europeia”, completou o ministro venezuelano.