Cerca de 100 opositores foram detidos nesta terça-feira (6) no centro de Moscou quando protestavam contra fraudes nas eleições parlamentares do domingo que favoreceram o partido governista Rússia Unida, liderado pelo primeiro-ministro, Vladimir Putin.
“Não me lembrava de nada igual. Acabava de sair com minha filha do metrô quando me cercaram, me detiveram e me conduziram a um automóvel policial”, afirmou após ser preso o dirigente opositor Boris Nemtsov, antigo vice-primeiro-ministro, à agência “Interfax”.
Entre os detidos está o escritor Eduard Limonov, líder do movimento oposicionista “A Outra Rússia”, que convocou o protesto não autorizado, e Sergei Mitrokhin, líder do partido liberal Yabloko, o quinto partido mais votado nas legislativas.
Oleg Orlov, chefe da organização de direitos humanos Memorial, também foi preso e vários jornalistas, entre os quais o repórter do jornal “Kommersant”, foram supostamente agredidos pela polícia, segundo o jornal online “Gazeta.ru”.
Os detidos foram levados à força a ônibus que deixaram a praça com destino à delegacia, segundo as fontes, que citam testemunhas.
O Ministério do Interior reconheceu que introduziu tropas em Moscou e que estas permanecerão na cidade até o fim da semana, quando forem anunciados os resultados definitivos da votação, segundo disse ao “Gazeta.ru” o responsável de imprensa do ministério, Oleg Yelnikov.
“Rússia sem Putin”, cantam os manifestantes nas imediações da Praça Triumfalnaya da capital russa, local habitual de concentração da oposição não parlamentar, segundo o jornal online.
Assim, de pouco adiantou a polícia moscovita ter advertido nesta manhã que tomaria todas as medidas necessárias para impedir qualquer ação de protesto não autorizado na capital russa.
Os manifestantes também reivindicam nesta terça-feira a libertação das centenas de opositores detidos na véspera nas imediações das sedes da Comissão Eleitoral Central e do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB) na Praça Lubianka.
Os organizadores utilizaram ativamente a rede social Facebook para convocar seus partidários a se manifestarem contra a fraude eleitoral.
Tanto a ONG Golos quanto a emissora de rádio “Eco de Moscou” e vários sites denunciaram milhares de irregularidades cometidas durante a votação.
Entre elas destacam-se a introdução de cédulas nas urnas e a fraude que consiste em levar dezenas de pessoas de ônibus por diferentes colégios eleitorais para que votem repetidamente pelo partido governista.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, negou nesta terça-feira que as denúncias de irregularidades divulgadas em vídeo por diversos sites possam ser utilizadas como “prova evidente” de fraude nas eleições.
O Rússia Unida, que obteve menos de 50% dos votos, conseguiu a maioria absoluta na Câmara Baixa, mas com 77 cadeiras a menos do que há quatro anos.