O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu nesta sexta-feira (26) aos Estados Unidos um “relatório completo” sobre a prisão de dois líderes do cartel de Sinaloa, incluindo seu cofundador, Ismael “El Mayo” Zambada, em uma operação da qual as autoridades mexicanas não participaram.
“O governo dos Estados Unidos tem que fornecer um relatório completo, não são apenas declarações gerais, é necessário informar, deve haver transparência”, destacou o mandatário mexicano em sua habitual coletiva de imprensa matinal, na qual foram apresentadas imagens de Zambada, de 76 anos, e de Joaquín Guzmán López, de 38 anos, já detidos.
El Mayo, que nunca havia sido preso antes, é visto com uma camiseta azul dentro de um veículo e já com o cinto de segurança, enquanto Guzmán López, um dos filhos do narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán, é visto sob custódia de agentes em uma pista de pouso.
A captura de dois criminosos, ocorrida no Texas na quinta-feira, após uma audaciosa operação de infiltração, representa um dos golpes mais duros contra a poderosa organização criminosa originária do estado de Sinaloa.
As atividades na cidade de Culiacán, capital de Sinaloa, continuaram tranquilas, embora a secretaria de Defesa tenha enviado 200 agentes das forças especiais do Exército para o estado nesta sexta, com o objetivo de “apoiar a estratégia de segurança e inibir as atividades da criminalidade organizado”, segundo um comunicado.
López Obrador esclareceu que não há “desconfiança” de seu governo em relação à operação das autoridades americanas para capturar Zambada, mas lembrou que sempre pediu “respeito”.
Ele também destacou que, seja qual for a decisão do chefe do cartel de se entregar ou ser capturado, sua detenção “significa um avanço importante no combate ao narcotráfico”.
Anteriormente, a ministra da Segurança, Rosa Icela Rodríguez, declarou que o governo mexicano não participou da operação e que, até o momento, desconhece todos os detalhes da prisão, anunciados no dia anterior pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
“Esperamos que o comunicado oficial […] se foi capturado, se foi entregue, o que exatamente aconteceu. Isso é parte do que o governo dos Estados Unidos terá que esclarecer”, acrescentou Rodríguez.
– ‘Existe um trabalho conjunto’ –
Apesar disso, López Obrador insistiu em que o golpe deferido contra o cartel, apontado pelos Estados Unidos como um grande responsável pela produção e tráfico de fentanil, é prova da cooperação entre as duas nações.
“Acredito que isso é uma demonstração de que há um trabalho conjunto, mesmo que neste caso específico não tenham participado nem o Ministério da Defesa nem o Ministério da Marinha”, afirmou o mandatário de esquerda.
O ministro Rodríguez também informou que o procurador-geral do México, Alejandro Gertz, conversou na quinta-feira com seu colega americano Merrick Garland e garantiu que foi “uma boa comunicação”.
A Embaixada dos Estados Unidos no México apresentou o primeiro relatório sobre a prisão ao Ministério da Segurança na quinta-feira às 15h30 locais (18h30 de Brasília), por telefone, detalhou Rodríguez.
Os dois líderes do cartel foram presos quando seu avião particular aterrissou no Texas, do lado americano da fronteira com o México, de acordo com meios de comunicação americanos que citam fontes policiais.
Joaquín Guzmán López havia confirmado Zambada a embarcar em um avião planejado com destino ao sul do México, mas a aeronave se dirigiu para o norte e aterrissou em El Paso, nos Estados Unidos, segundo a Fox News.
O filho de “El Chapo” atraiu “El Mayo” para o avião “com falsas desculpas”, indicaram funcionários americanos citados pelo jornal The New York Times.
Guzmán foi entregue e “El Mayo” foi preso, acrescentou um jornalista da Fox News na rede social X.
A Justiça americana acusa por seu suposto papel na produção e tráfico de fentanil, um potente opioide sintético e “a ameaça de drogas mais mortais” que o país “já envolveu”, detalhou o ministro da Justiça.
© Agence France-Presse