O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, voltou a defender nesta quarta-feira o ingresso da Venezuela no Mercosul e a suspensão do Paraguai do bloco. Patriota compareceu na comissão de Relações Exteriores do Senado e respondeu às críticas da oposição, que é contra a suspensão do Paraguai e contra o apoio dado a Venezuela pelo Brasil, Uruguai e Argentina.
O ministro reiterou que ambas as decisões foram adotadas em comum acordo pelos três países durante o recente encontro da cúpula, realizado na cidade argentina de Mendonza. “O Paraguai só poderá voltar a participar (do bloco) quando retomar a plena vigência da ordem democrática”. Sobre o ingresso da Venezuela, que estava pendente por conta do Paraguai, Patriota insistiu que o país terá uma importância econômica e política de “interesse estratégico” para o Mercosul.
“Com a Venezuela, o Mercosul se estenderá desde a Patagônia até o Caribe”, disse o ministro, que destacou o potencial venezuelano na área de energia e o “fortalecimento das redes de comércio e investimentos” que se prevê com a incorporação do país. Segundo Patriota, tanto a suspensão do Paraguai como o ingresso da Venezuela “foram decisões difíceis, mas tomadas com critério e com cuidado para que não fossem adotadas medidas que afetassem o povo paraguaio” e “como resposta a uma situação inaceitável”.
A entrada da Venezuela no Mercosul será formalizada em reunião extraordinária que será realizada no próximo dia 31, no Rio de Janeiro. Para o encontro, são esperados os presidentes do Uruguai, José Mujica, do Brasil, Dilma Roussef e da Argentina, Cristina Kirchner. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está em plena campanha para as eleições do país, anunciou nesta semana que também estará presente na reunião. “Devo ir, tenho que ir, claro. É muito importante para nós e para toda América Latina”, disse nesta quarta-feira o líder venezuelano.