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Partidos islamitas alcançam 75% do Parlamento egípcio

Arquivo Geral

21/01/2012 15h44

Os partidos islamitas arrasaram nas eleições legislativas do Egito e alcançaram 75% das cadeiras da Assembleia do Povo, a câmara baixa do Parlamento, informou neste sábado a Comissão Eleitoral.

Apesar do presidente da Comissão, Abdelmoaiz Ibrahim, ter anunciado apenas os resultados obtidos pelos partidos nas listas fechadas, as principais legendas partidárias divulgaram rapidamente o total de cadeiras obtidas, incluindo os candidatos que se apresentaram como individuais e se elegeram através de listas abertas.

A Aliança Democrática, coalizão formada pelo Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, obteve quase a metade das cadeiras e alcançou 47,2% dos votos. Das 498 cadeiras que compõem a Assembleia do Povo, o PLJ conseguiu 235, das quais 127 procedem das listas fechadas.

A corrente islamita está representada também pelos salafistas do partido Ao Nour, que alcançaram 24,7% dos votos e garantiram 123 cadeiras.

O partido nacionalista Wafd, o mais antigo do Egito, ficou com a terceira posição e elegeu 38 deputados, enquanto o Bloco Egípcio, uma aliança de forças laicas e liberais, garantiu outros 34.

Estes resultados evidenciam que as legendas liberais foram perdendo forças à medida que as eleições abandonavam os núcleos urbanos e chegavam às áreas rurais.

Além da força da Irmandade Muçulmana e dos salafistas no Parlamento, o partido Al Wasat, uma cisão de ambos, alcançou dez cadeiras e poderá contribuir para firmar ainda mais a presença islamita no parlamento, que deverá ficar com três quartos da câmara baixa.

Por outro lado, o partido conservador Reforma e Desenvolvimento, do sobrinho do ex-presidente Anwar Al Sadat, conquistou oito cadeiras, enquanto que a coalizão A Revolução Continua, formada ao calor da Revolução do 25 de Janeiro, só alcançou sete representantes.

O restante das cadeiras ficará repartida entre partidos minoritários e candidatos independentes, além de outras 30 que deve ser ocupada pela Junta Militar, atualmente no poder, explicaram à Agência Efe fontes da Comissão Eleitoral.

Ibrahim destacou que, somente nas listas partidárias, mais de 27 milhões de eleitores foram às urnas, dos quais 10,1 milhões depositaram sua confiança no PLJ.

O Al Nour, segunda força, obteve 7,5 milhões dos votos, enquanto o Wafd e o Bloco Egípcio não passaram dos 2,4 milhões, cada um.

As primeiras eleições legislativas após a queda de Hosni Mubarak, forçada há um ano pela revolta popular, constituíram um longo e complexo processo, marcado pelas queixas e pelas denúncias de fraude.

Neste sábado, o presidente da Comissão Eleitoral reconheceu as limitações do órgão eleitoral e chamou a atenção de todos os partidos políticos, já que alguns destes infringiram as normas previstas para tentar captar mais eleitores.

A Câmara Baixa realizará sua primeira sessão após a queda do presidente Hosni Mubarak já na próxima segunda-feira. Segundo um acordo anunciado nesta última semana, o primeiro presidente do Parlamento será o secretário-geral do PLJ, Mohammed Saad Al Katatni.

Após o final do pleito para a Assembleia do Povo, as eleições egípcias deverão definir os integrantes do Conselho da Shura (Câmara Alta), a qual será iniciada dia 29 de janeiro.

Segundo a previsão da Junta Militar egípcia, o processo eleitoral no país deverá alcançar seu auge somente com a aprovação de uma nova Constituição, que deverá ser escolhida em plebiscito, e com a eleição de um novo presidente do país antes do mês de julho.

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