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Para ex-ministro talibã, paz só chegará quando tropas deixarem Afeganistão

Arquivo Geral

21/09/2010 10h09

O mulá Muttawakil, último ministro de Exteriores dos talibãs antes da queda do regime, acredita que não haverá paz até que as tropas estrangeiras deixem o Afeganistão, e afirmou que as eleições do fim de semana passado não resolverão o conflito vivido pelo país.

“Tínhamos um Governo (talibã) e os estrangeiros o atacaram com uma guerra desequilibrada. Rejeitaram os talibãs e tiraram seus direitos políticos. Foram os estrangeiros que trouxeram a atual guerra”, afirma.

Antigo secretário do mulá Omar, Wakil Ahmad Muttawakil decidiu ficar no país durante a invasão das tropas dos Estados Unidos, em 2001, e após três anos preso, vive agora sem chamar a atenção em um bairro de ruas sem asfalto em Kabul.

Muttawakil continua sendo abertamente um talibã, mas suas atitudes fazem dele um “moderado do fundamentalismo”, e seu nome ganha força a cada vez que os EUA ou o Governo afegão mencionam a necessidade de dialogar com a insurgência.

Em entrevista à Efe, afirmou que está contente pela retirada de seu nome da lista de pessoas associadas com o terrorismo no Conselho de Segurança da ONU, um gesto que os analistas veem como um sinal de degelo para negociar com os insurgentes.

Embora assegure que não tenha contato com o mulá Omar, em paradeiro desconhecido, e negue qualquer apoio do Paquistão ao movimento, os analistas acreditam que o Muttawakil serve como uma espécie de “mediador” talibã na capital afegã.

Sobre as eleições realizadas em seu país, o ex-dirigente talibã acredita que “não vão resolver os problemas afegãos” e ficam limitadas “à parte que controla o Governo” de Hamid Karzai.

“O problema entre o Governo e os talibãs é de confiança. Os talibãs dizem que este processo de paz não é de reconciliação, mas de integração. Com ele, tentam capturar-nos para separar-nos”, resumiu.

Para Muttawakil, “uma forma de conseguir confiança é fechar prisões (como a de Bagram, no Iraque, ou a de Guantánamo), libertar os presos e eliminar listas negras (de terroristas em instituições internacionais). Esta será uma forte mensagem (para o Ocidente mostrar) que deseja dialogar com os talibãs”.

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