Cuba se tornou um “caso perdido” quanto à sua “capacidade interna de transformação e evolução para a democracia”, afirmou nesta quinta-feira o ex-ministro espanhol Carlos Solchaga.
“Só podemos esperar a morte lenta do regime”, ressaltou Solchaga, quem foi ministro da Economia de 1985 a 1993 no Governo do socialista Felipe González.
O ex-ministro fez essa análise durante um comparecimento na Comissão de Assuntos Ibero-americanos do Senado, onde apresentou um relatório sobre perspectivas na América Latina em 2011.
Solchaga afirmou que a “morte lenta” do regime de Raúl Castro mostrará sua “extrema fraqueza” e “se produzirá uma mudança”.
O ex-ministro espera que, chegado o momento da queda do regime, se garanta uma “transição pacífica” no país.
Solchaga lembrou que, nos anos 90 do século passado, chegou a aconselhar o Governo de Havana sobre as reformas econômicas de que o país necessita, mas as autoridades cubanas ignoraram suas recomendações na maioria dos casos.
Após seu discurso, a Comissão de Assuntos Ibero-americanos do Senado debateu uma moção do conservador Partido Popular (PP) sobre Cuba, que foi rejeitada.
Nessa moção, o PP, principal legenda da oposição, pedia ao Executivo espanhol que expressasse publicamente sua defesa dos direitos humanos e condenasse “as práticas repressivas que, contra esses direitos, vêm sendo praticadas pelo Governo de Cuba”.
No texto, também se reivindicava ao Governo espanhol “uma atitude de fortalecimento da posição comum da UE sobre Cuba, a fim de incidir eficazmente na questão dos direitos humanos na ilha”.