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Mundo

Paquistão enfrenta desconfiança internacional por fracasso com Bin Laden

Arquivo Geral

05/05/2011 14h36

A notícia que Osama bin Laden estava nas proximidades de Islamabad confirmou as suspeitas da comunidade internacional, que durante uma década acusou o Paquistão de não se esforçar o suficiente para caçar o líder da Al Qaeda.

O homem mais procurado do mundo foi morto na madrugada da segunda-feira (horário de Islamabad) por comandos dos Estados Unidos na cidade de Abbottabad, a apenas 100 quilômetros da capital paquistanesa, uma circunstância que é difícil de entender pelo resto do mundo.

Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, diversos responsáveis políticos e militares de Washington, Londres e Paris deram quase por certeza que Bin Laden se escondia em alguma região de difícil acesso perto da fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Tanto o atual Executivo do país sul asiático como o do anterior presidente, Pervez Musharraf, sempre negaram, no entanto, que Bin Laden estivesse no Paquistão ou que os militares e os serviços de inteligência tivessem pistas de seu paradeiro.

Em algumas ocasiões, Islamabad perdeu credibilidade ao situar o líder da Al Qaeda no Afeganistão, como declarou Musharraf em 2007, e em outras quando anunciou, inclusive a morte do terrorista, como fez o atual presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, há dois anos.

“Embora já não restavam comuns interesses entre Bin Laden e Paquistão, é impossível que alguém no Exército paquistanês não soubesse onde estava”, disse à Agência Efe o prestigioso colunista paquistanês Cyril Almeida.

Uma das manifestações mais recentes que tanto o chefe da Al Qaeda como o líder dos talibãs afegãos, o mulá Omar, se encontravam em território paquistanês foi declarada pela própria secretária de Estado americana, Hillary Clinton, durante sua última visita a Islamabad, em julho de 2010.


Responsáveis de outros países, incluindo os dos vizinhos Índia e Afeganistão, também acusaram em repetidas ocasiões o Paquistão de dar refúgio, e inclusive apoio, aos terroristas mais procurados da região.

Um das dúvidas que se abre agora é se o Paquistão seguirá negando também ter pistas do paradeiro do líder dos talibãs.

De fato, no Afeganistão muitos se mostram convencidos que o mulá Omar, o outro símbolo dos ataques do 11 de Setembro nos EUA, se encontra em território paquistanês.

“Seguramente o Paquistão sabe onde está Omar” declarou o comentarista político afegão Daud Sotanzoy, à Agência Efe.

“O líder dos talibãs está no Paquistão muito ocupado em treinar terroristas suicidas”, disse à Agência Efe Ahmad Zia Massoud, irmão de Ahmed Shah Massoud, líder da Aliança do Norte e mito da resistência afegã que foi assassinado pela Al Qaeda dois dias antes dos atentados contra as Torres Gêmeas.

Muitos analistas coincidem em assinalar que a cúpula militar e dos serviços secretos do Paquistão segue conservando uma estreita relação com diversas facções talibãs e rebeldes afegãs, às que se considera um instrumento da política externa paquistanesa no Afeganistão.

Fontes de segurança ocidentais e paquistaneses costumam admitir que uma coisa é a luta contra os talibãs paquistaneses, aos que Islamabad vê como um inimigo, e outra o combate aos talibãs afegãos, aos que não concebe como uma ameaça mas como um ativo estratégico.

“Após o que passou com Bin Laden ninguém vai acreditar nos paquistaneses quando diz que não sabe onde está o mulá Omar, seja verdade ou não”, declarou Cyril Almeida, que acrescentou: “O Exército paquistanês terá que escolher agora entre seguir protegendo os talibãs a qualquer custo ou renunciar a eles, embora temo que algumas coisas não vão mudar”.

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