O líder opositor Ollanta Humala anunciou nesta terça-feira (6) que o Partido Nacionalista Peruano (PNP) apresentará nas próximas horas um pedido para que o presidente do Peru, Alan García, seja destituído do cargo por “incapacidade moral permanente”.
Humala declarou que o pedido será feito por causa da “política de criminalização do protesto” existente no Peru e que, segundo ele, deixou mais de 70 mortos e 600 feridos nos quatro anos de gestão de García.
“O que estamos encontrando na conduta do presidente da República está tipificado na Constituição e se chama incapacidade moral permanente”, afirmou.
“São mais de 70 mortos, mais de 600 feridos, um desaparecido, um asilado, mais de 1.300 cidadãos peruanos, a maioria líderes sociais, que estão judicializados pelo delito de ‘protestar contra o Governo'”, disse Humala.
Quase seis mil mineradores bloqueiam atualmente a estrada na cidade de Chala, 620 quilômetros ao sul de Lima, onde no domingo passado seis pessoas morreram, sendo cinco baleadas, em confrontos com a Polícia.
Os embates também deixaram 20 civis (15 baleados) e oito policiais feridos, informou hoje a Defensoria Pública.
Os mineradores protestam contra um decreto que pretende formalizar a mineração na região de Madre de Dios, onde há uma grande biodiversidade e cujo foco é a exploração artesanal de ouro.
García reiterou nesta terça-feira (6) que seu Governo não negociará com os mineradores até que estes desistam dos protestos e do bloqueio de estradas.
O presidente peruano advertiu que a obrigação de seu Governo é “cumprir e fazer cumprir as leis” e afirmou que “ninguém pode bloquear estradas sem se expor a uma denúncia e a uma punição penal”.
No entanto, Humala disse que avaliará hoje os termos do pedido de destituição presidencial junto ao porta-voz de seu partido e que sua bancada também solicitará a interpelação ao primeiro-ministro, Javier Velásquez.
“Tem que haver uma responsabilidade política, não somente operacional, a qual corresponde aos comandantes policiais”, disse Humala.
Segundo o opositor, o primeiro-ministro é “o grande coordenador de toda esta operação e é quem finalmente saiu com a posição intransigente de dizer que não vai dialogar”.
Para Humala, há na atual Administração peruana uma política “de não dar importância à vida frente à aplicação de determinadas políticas que obedecem a interesses de grupos econômicos”.