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Oposição diz que Maduro ‘sequestrou’ porta-voz da campanha de González

“Eles tentam nos quebrar, nos desfocar e nos aterrorizar. Seguimos em frente, por Perkins, por todos os prisioneiros e perseguidos, e por toda a Venezuela. Seremos livres”

Redação Jornal de Brasília

27/08/2024 23h16

Venezuelan opposition leader Maria Corina Machado speaks during a press conference at her party headquarters in Caracas, on March 26, 2024. – Venezuela’s main opposition leader said Tuesday that President Nicolas Maduro had “chosen” his poll rivals after key contenders were blocked from running in the July presidential election. “What we warned about for many months ended up happening: the regime chose its candidates,” said Maria Corina Machado, who was banned from holding public office by courts loyal to Maduro and whose proxy candidate was unable to register by the deadline at midnight on Monday. (Photo by Ronald PEÑA / AFP)

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

A oposição venezuelana denunciou, nesta terça-feira (27), o suposto sequestro de Perkins Rocha, porta-voz da campanha de Edmundo González, que disputou as eleições presidenciais contra Nicolás Maduro.

María Corina Machado, líder da oposição, acusou regime de Maduro. “Perkins é nosso advogado pessoal, nosso coordenador jurídico e representante do @ConVzlaComando perante a CNE. Um homem justo, corajoso, inteligente e generoso. Um venezuelano exemplar”, escreveu Corina, nas redes sociais.

“Eles tentam nos quebrar, nos desfocar e nos aterrorizar. Seguimos em frente, por Perkins, por todos os prisioneiros e perseguidos, e por toda a Venezuela. Seremos livres”, escreveu María Corina Machado, em seu perfil no X (antigo Twitter).

Desaparecimento de porta-voz da oposição teria ocorrido por volta das 11h (horário local). “Meu marido não é um criminoso, é apenas um cidadão que anseia e luta para que todos vivamos em liberdade”, destacou a mulher dele, Constanza, nas redes.

Até a publicação deste texto, Nicolás Maduro não havia se pronunciado sobre a acusação.

REELEIÇÃO CONTESTADA

Maduro foi reeleito, segundo o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), com 52% dos votos. A oposição, liderada por María Corina Machado, protesta e alega ter provas de que houve fraude e da vitória do seu candidato Edmundo González Urrutia.

Após a publicação dos resultados, venezuelanos saíram às ruas. Ao menos 27 pessoas —incluindo dois militares — morreram nos protestos, e centenas ficaram feridas. Cerca de 2.400 manifestantes, chamados de “terroristas” por Maduro, foram presos.

A contestação dos resultados foi parar na Suprema Corte, comandada pelo chavismo. Na semana passada, o TSJ (Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela) validou oficialmente o resultado das eleições de 28 de julho e reconheceu a vitória de Nicolás Maduro.

Independência do CNE e do TSJ foi questionada por missão da ONU. Os EUA, dez países da América Latina e o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, rejeitaram a decisão do TSJ.

Brasil e Colômbia insistem para que Venezuela publique as atas. “Ambos os presidentes [Lula, do Brasil, e Gustavo Petro, da Colômbia] permanecem convencidos de que a credibilidade do processo eleitoral somente poderá ser restabelecida mediante a publicação transparente dos dados desagregados por seção eleitoral e verificáveis”, diz uma declaração conjunta divulgada no sábado (24).

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