A ONU e a União Africana (UA) denunciaram nesta sexta-feira a utilização de subornos, intimidação e violência para influenciar a eleição dos deputados do novo Parlamento da Somália. Em comunicado conjunto emitido em Nairóbi, a ONU e a UA dizem ter recebido “informação confiável de fontes somalis e internacionais de que certos grupos estão implicados no uso de subornos, intimidação, violência e outros meios injustos para influenciar a escolha dos membros do Parlamento”.
O país africano está imerso em um processo de finalização da transição política, que deveria terminar dia 20 com a escolha de um presidente, que depois nomearia um primeiro-ministro e um gabinete. O presidente deve ser designado pelo Parlamento, cujos 275 membros devem ser escolhidos por sua vez por 135 líderes tribais selecionados por um comitê especial apoiado pela ONU.
As Nações Unidas e a União Africana informaram hoje que esses 135 líderes “estão sendo ameaçados por elementos negativos”, embora não tenham especificado quem são esses agressores. Esses “elementos” também tentariam “perverter” o processo para excluir as mulheres do Parlamento. À medida que a data-limite de 20 de agosto se aproxima, os signatários da nota destacam que “qualquer tentativa de manipular, atrasar ou atrapalhar esse processo seria inaceitável”.
“Achamos que o povo somali, que sofreu durante tanto tempo, merece um futuro”, afirmam os signatários, que esperam que a transição política acabe “de forma pacífica”. O atual governo de transição que lidera a Somália foi estabelecido em 2004, e formalmente seu mandato deve acabar dia 20.
Os líderes da Somália aprovaram no último dia 1º uma nova Constituição de caráter provisório que deve ser ratificada em um futuro referendo. A Somália vive em estado de guerra civil e caos desde 1991, quando o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado, deixando o país sem um governo efetivo e em mãos de milícias islamitas, senhores da guerra e bandas de delinquentes armados.