A ideia de que existe uma avalanche de estrangeiros pedindo asilo em países ricos é “um mito”, afirmou hoje a agência das Nações Unidos para refugiados (Acnur).
“Apesar de algumas alegações populistas, nossos dados mostram que os números (de refugiados) se mantiveram estáveis. A noção de que há uma avalanche de pessoas em busca de asilo nos países ricos é um mito”, afirmou o alto comissário para os refugiados, António Guterres.
Segundo as estatísticas da Acnur divulgadas hoje, os números referentes a 2009 foram similares aos apresentados em 2008, com 377 mil solicitações de asilo. Os pedidos aumentaram em 19 países e diminuíram em 25.
As nações nórdicas tiveram 13% de aumento, com 51 mil novas solicitações de asilo, o maior crescimento em seis anos. Por outro lado, os pedidos nos países do sul da Europa caíram em média 33%.
Os pedidos de asilo diminuíram 42% na Itália, 40% na Turquia, 34% na Espanha e 20% na Grécia.
Em nível global, os EUA seguiram, pelo quarto ano consecutivo, sendo o principal destino dos refugiados com 13% das solicitações mundiais (cerca de 49 mil pessoas).
A França foi o segundo destino mais procurado, com 42 mil novos pedidos em 2009 (19% a mais que em 2008), com um aumento, sobretudo, nas solicitações de sérvios procedentes do Kosovo.
O Canadá ocupou o terceiro lugar, embora os pedidos de asilo para o país tenham caído 19%, especialmente pela redução de solicitações de mexicanos e haitianos. Esses países foram seguidos por Reino Unido e Alemanha, com mais de 27 mil solicitações cada.
Os refugiados afegãos lideraram a lista em 2009, com 26,8 mil solicitações, o que representou um aumento de 45% frente a 2008. Os iraquianos passaram para o segundo lugar, com 24 mil pedidos, e os somalis para o terceiro, com 22,6 mil.
Os lugares em que os pedidos de asilo mais caíram em 2009 foram Costa do Marfim (43%), Iraque (40%), Haiti (35%), Gana (30%) e Colômbia (30%).