Um grupo de 29 ONGs com presença no Afeganistão solicitou nesta sexta-feira à Otan que tome medidas urgentes para a proteção dos civis atingidos pelo conflito, no marco de seu plano de passar a segurança ao Governo do país asiático.
A chamada coincide com a realização, entre sexta-feira e sábado em Lisboa, da cúpula de chefes de Governo na Otan, para discutir, entre outras coisas, o plano de transição elaborado pelo general responsável pela missão no Afeganistão, David Petraeus.
A Otan pretende aumentar a formação e os efetivos das forças afegãs para que a transição da segurança e da ordem no país seja feita progressivamente, mas as organizações de ajuda alertaram nesta sexta-feira do impacto que isso poderá ter para a população civil.
“Há um grave risco de abusos generalizados, que podem ir desde roubos e extorsões até torturas e assassinatos indiscriminados”, afirmam as organizações no relatório, intitulado “Sem saída. Fracasso na proteção da população civil no Afeganistão”.
“Nem o Exército nem a Polícia afegãs dispõem de formação suficiente, e os sistemas de comando são débeis. Não há mecanismos eficazes para investigar e processar os supostos abusos cometidos pelas forças de segurança afegãs”, acrescentam.
O ano de 2010 foi o mais sangrento para a população civil do Afeganistão desde o início da ocupação do país, em 2001. Segundo dados das Nações Unidas, entre janeiro e junho deste ano morreram 1.271 pessoas, 21% a mais que no mesmo período do ano passado.
O relatório foi assinado por organizações como Oxfam, Ajuda em Ação e Comissão Afegã Independente de Direitos Humanos (AIHCR, pela sigla em inglês), que pedem à Otan para “fazer mais para reduzir os danos à população civil”.
O grupo também solicita que a organização abandone as chamadas “iniciativas de defesa da comunidade”, que consistem em apoiar milícias locais para lutar contra os talibãs.