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ONG denuncia alimentação de detidos em protestos pós-eleitorais na Venezuela

“Quando os familiares conseguem ver seus entes queridos, não os reconhecem, devido à situação em que ele se encontram, desnutridos e pálidos”, ressaltou o OVP

Redação Jornal de Brasília

04/10/2024 20h42

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Um oponente do governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro bate uma panela durante um protesto no bairro Catia, em Caracas, em 29 de julho de 2024, um dia após as eleições presidenciais venezuelanas. Os protestos eclodiram na segunda-feira em partes de Caracas contra a vitória reeleitora reivindicada pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas contestada pela oposição e questionada internacionalmente, observaram jornalistas da AFP. (Foto de YURI CORTEZ/AFP)

Os detidos nos protestos pós-eleitorais na Venezuela, que estão em prisões de segurança máxima, recebem uma alimentação deficiente, denunciou nesta sexta-feira (04) a ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), apontando que alguns estão desnutridos e recebem apenas dois copos d’água por dia.

“A alimentação recebida pelos jovens detidos que foram levados para a prisão de Tocorón, no estado de Aragua (centro), é deficiente, expressaram seus parentes. Além disso, eles consomem água não potável”, denunciou o OVP, destacando que a mesma situação é observada na prisão de Tocuyito, em Carabobo.

Tocorón e Tocuyito foram as prisões habilitadas para abrigar centenas de detidos durante os protestos contra a reeleição do presidente Nicolás Maduro em 28 de julho, denunciada pela oposição como uma fraude.

“Quando os familiares conseguem ver seus entes queridos, não os reconhecem, devido à situação em que ele se encontram, desnutridos e pálidos”, ressaltou o OVP, segundo o qual nesses centros os presos recebem apenas “dois copos d’água por dia” e têm acesso limitado aos familiares.

A ONG citou casos em que, após dois meses, mães puderam ver seus filhos por apenas 10 minutos. “Estávamos há quase dois meses sem ver meu filho, ele está desnutrido, doente, está recebendo comida com larvas, não estão dando água. Não estão sendo agredidos, mas estão sendo submetidos a um terror psicológico muito forte”, diz Mireya González, mãe de um dos detentos de Tocuyito, em vídeo divulgado pela organização Coalizão de Direitos Humanos.

As manifestações deixaram 27 mortos, dois deles militares, e 192 feridos.

© Agence France-Presse

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