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Mundo

OEA não consegue aprovar resolução sobre eleição na Venezuela; Brasil se abstém

A resolução final não foi aprovada, e o Brasil foi um dos países-membros a se abster

Redação Jornal de Brasília

31/07/2024 21h06

Atualizada 02/07/2025 19h04

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Um oponente do governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro bate uma panela durante um protesto no bairro Catia, em Caracas, em 29 de julho de 2024, um dia após as eleições presidenciais venezuelanas. Os protestos eclodiram na segunda-feira em partes de Caracas contra a vitória reeleitora reivindicada pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas contestada pela oposição e questionada internacionalmente, observaram jornalistas da AFP. (Foto de YURI CORTEZ/AFP)

MAYARA PAIXÃO
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS)

A negociação na sessão extraordinária da OEA (Organização dos Estados Americanos) convocada para esta quarta-feira (31) sobre a eleição presidencial na Venezuela azedou. A resolução final não foi aprovada, e o Brasil foi um dos países-membros a se abster.

Ao todo, foram 17 votos a favor (de países como Estados Unidos, Chile, Costa Rica e Equador), 11 abstenções (além de Brasil, nações como a Colômbia, o México e caribenhos), nenhum voto contra e outras cinco ausências. Para ser aprovada, a resolução necessitava de ao menos 18 votos pelo regramento do órgão multilateral.

Em linhas gerais, o texto votado pedia quatro coisas à Venezuela do ditador Nicolás Maduro: 1) Reconhecer a participação grande e pacífica do eleitorado no pleito; 2) Que o Conselho Nacional Eleitoral divulgue as atas eleitorais das mesas de votação e que seja feita uma verificação delas com a presença de observadores independentes; 3) Que os direitos humanos fossem respeitados; 4) Que se protejam os elementos do processo eleitoral, como as próprias atas.

Um dos principais pontos de conflito foi o segundo, devido ao trecho que pede que a checagem das atas conte com a presença de observadores independentes.
Alguns países, como o Brasil, avaliam que não é possível exigir isso de Caracas uma vez que não há base jurídica e que já seria suficiente pleitear o cumprimento das normas eleitorais vigentes na Venezuela: que as atas sejam publicadas e que os diferentes atores políticos possam revisá-las e recontá-las de forma transparente.

Na abertura da sessão, o embaixador Ronald Sanders, de Antigua e Barbuda, autor do texto final e presidente do conselho permanente da OEA, disse que “houve consenso em quase tudo, menos em um dos parágrafos”. E lamentou: “Essa era uma resolução muito importante.”

A votação desta quarta-feira deixa clara a divisão das Américas quando o tema é Venezuela. Países como Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Uruguai, Peru, Panamá e República Dominicana, que votaram a favor do texto, tiveram seus diplomatas expulsos em Caracas após fazer críticas ao processo eleitoral.

O trio Brasil, Colômbia e México, por sua vez, tem tentado negociar uma declaração conjunta sobre a Venezuela. Ainda que com divergências, eles pedem a divulgação das atas, mas moderam suas críticas para não romper relações com o regime de Maduro. A Bolívia de Luis Arce reconheceu Maduro.

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