A reforma do sistema de saúde se tornou lei hoje nos Estados Unidos com a assinatura do presidente Barack Obama em uma cerimônia na Casa Branca.
“A lei que promulgo hoje iniciará reformas pelas quais gerações deste país lutaram durante anos”, assegurou o presidente americano, sorridente como nunca desde o dia da posse.
Mas nem todos os americanos comemoram a reforma. Hoje, os secretários de Justiça de 13 estados apresentarão na Flórida uma apelação nos tribunais questionando a legalidade das mudanças.
Com a presença de cerca de 280 convidados, entre políticos e pessoas comuns beneficiadas pelas mudanças, Obama assinou a reforma com 22 canetas. Delas, duas serão guardadas nos arquivos da Casa Branca e 20 foram dadas como lembrança.
“Hoje, após quase um século de provas; hoje, após mais de um ano de debate; hoje, depois da contagem de todos os votos, a reforma do sistema de saúde virou lei nos EUA”, celebrou Obama.
Após a maior conquista de seu mandato, o presidente dedicou a promulgação, entre outros, à mãe, que morreu de câncer. “Até os últimos dias de sua vida ela teve que passar brigando com as seguradoras”, afirmou.
Estiveram na cerimônia, entre outros, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi; o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e Vicky Kennedy, viúva do senador Ted Kennedy, um dos maiores defensores no Congresso da reforma sanitária.
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, foi em homenagem a Kennedy que Obama usou hoje um bracelete azul que havia recebido de Vicky.
Os convidados, tão entusiasmados quanto Obama, receberam o presidente dizendo os lemas da campanha da reforma.
Após a assinatura, o presidente dos EUA foi ao Departamento do Interior para uma cerimônia maior, de 600 convidados. Ali, Obama disse: “é por vocês que não abandonei a luta”.
Para não atrapalhar o evento, a Casa Branca cancelou um ato para apresentar seu novo plano antidrogas, que teria a presença do vice-presidente.
Além disso, Obama não participará ao longo do dia de outros atos públicos. A reunião com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, será a portas fechadas.
A Câmara de Representantes aprovou a medida, de custo estimado de US$ 938 bilhões, no domingo após um longo processo de negociação. O Senado já o tinha feito em dezembro.
O Senado deve debater hoje mesmo um projeto de lei, que a Câmara também aprovou no domingo, que inclui uma série de modificações à medida promulgada.
O projeto de lei foi apresentado num procedimento especial, conhecido como ‘reconciliação’, que normalmente se reserva às medidas orçamentárias e que requer apenas o ‘sim’ de 51 senadores para aprovação, em vez dos 60 necessários no procedimento comum.
Com a perda da maioria absoluta em janeiro, os democratas contam com 59 cadeiras no Senado.
Obama deve ir na quinta-feira a Iowa City para fazer um discurso de defesa da reforma, pouco popular entre alguns setores públicos americanos.
A reforma, que espera levar a cobertura médica a mais 32 milhões de americanos até 2019, pretende reduzir os custos com saúde e impõe mais exigências às seguradoras.