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Mundo

Número de famintos no mundo recuará em 100 milhões

Arquivo Geral

14/09/2010 14h48

O número de pessoas que passam fome no mundo deverá recuar em 2010 para os 925 milhões, depois de no ano passado chegar a 1,023 bilhão, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que considera este número inaceitável apesar do descenso.

O diretor-geral FAO, Jacques Diouf, anunciou hoje os números, contidos no novo relatório sobre “O estado da Segurança Alimentar no Mundo”, elaborado conjuntamente com o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Diouf explicou que os dados representam uma evolução positiva com relação aos dois últimos anos e atribuiu o avanço a melhoria no acesso aos alimentos, ao descenso dos preços e à recuperação econômica em nível mundial.

Lembrou que o número de pessoas desnutridas neste ano deverá superar o número registrado antes do início da crise econômica e da dos alimentos de 2008, quando estes alcançaram seus preços mais altos.

“É inaceitável que o número de famintos esteja perto de 1 bilhão. A cada seis segundos morre uma criança por problemas ligados à fome e a desnutrição”, detalhou Diouf.

Alertou para o fato de a situação atual estar distante da meta fixada nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que persegue uma redução dos famintos à metade para 2015.

Um compromisso que, para a diretora-executiva do PMA, Josette Sheeran, é “o mais difícil de realizar” entre os oito, apesar do esforço e das políticas para reduzir a fome desde 1995.

O diretor-geral da FAO lamentou a distração que imperou no passado sobre as políticas de desenvolvimento, reiterou que para combater a fome no mundo são necessários US$ 45 bilhões ao ano e insistiu na necessidade de “atacar desde a raiz a insegurança alimentar”.

“Sabemos que é preciso fazer e como. Temos exemplos bem-sucedidos na África e na América Latina que deveriam ser copiados e reproduzidos. É necessário criar programas e amortizadores sociais”, declarou Diouf.

Nesta linha, tanto Diouf quanto Sheeran elogiaram a capacidade de reação diante da crise demonstrada pelo Brasil, e destacaram que países africanos como o Congo e Gana, e latino-americanos como a Nicarágua e Guiana, conseguiram reduzir a fome em seus territórios.

Apesar desses exemplos, no entanto, o relatório elaborado pela FAO e o PMA assinala que existem muitas nações pobres com capacidade insuficiente de recuperação frente às crises econômicas.

Assim, o diretor-geral da FAO insistiu na necessidade de investir e promover os investimentos agrícolas nos países em desenvolvimento, onde, segundo o relatório da organização, se concentram 98% da população desnutrida do mundo.

Concretamente, a análise elaborada pelo PMA e a FAO estabelece que dois terços das pessoas que passam fome no mundo vivem em sete países: Bangladesh, China, Congo, Etiópia, Indonésia, Paquistão e Índia.

Por outro lado, Diouf lançou hoje uma mensagem tranqüilizadora diante do temor da repetição de uma nova crise de preços como sucedeu entre 2007 e 2008, e lembrou que está previsto para 2010 que a produção de cereais seja a terceira maior dos últimos cinco anos.

Assegurou que se dispõe de “amplas reservas”, muito acima das disponíveis há dois anos, mas assinalou que existe preocupação pelo “nervosismo” que impera nos mercados e pela sua “vulnerabilidade” diante de qualquer “trauma”.

Diouf deu especial importância à “volatilidade” dos preços que pode representou um novo obstáculo na hora de cumprir com os objetivos fixados para reduzir a fome.

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